Atraso de crescimento: desenvolvimento de um bebê

Fomon define o atraso de crescimento ou definhamento pela coincidência de dois requisitos:

a) O aumento de peso está abaixo do segundo desvio-padrão durante pelo menos dois meses seguidos (em bebês menores de 6 meses) ou durante pelo menos 3 meses em bebês de 6 a 12 meses de idade.

b) A relação peso/altura está abaixo do percentil 5.

Um exemplo prático. Lactente do sexo feminino:

2 meses    57,2 cm    5.150 g

4 meses    62,2 cm    5.700 g

Avaliação de peso do exemplo prático

Será que essa menina tem um atraso de crescimento? De acordo com os gráficos da OMS, o peso e a altura aos dois meses estão na média. Aos 4 meses, a altura continua estando na média, mas o peso está no percentil 16. Ela ganhou 550 g no total, 275 g por mês.

De acordo com as tabelas provisórias, o aumento de peso entre os 2 e 4 meses é de 640 g ao mês, e o segundo desvio-padrão é de 290 g por mês. Essa menina engordou menos e cumpre, portanto, o primeiro critério de atraso de crescimento.

Porém, o percentil 5 de peso para o seu tamanho (62 cm) está em uns 5.500 g. Com 5.700 g, ela quase fica no percentil 10. Não cumpre o segundo critério e, portanto, não podemos fazer um diagnóstico de atraso de crescimento. Para cumpri-lo, ela deveria ter engordado menos de 180 g por mês.

Quantas pais já foram assustados com a mudança de dieta da criança ou por tomadas de decisões clínicas unicamente porque um bebê ganhava apenas 600 g em um mês ou 90 g em uma semana?

Critérios utilizados para avaliar o atraso de crescimento

Os critérios antes expostos foram criticados com razão por produzir um diagnóstico tardio. O bebê que engorda menos que o normal por dois meses tinha um problema desde o início,  mas demoramos dois meses para constatá-lo. A espera é prudente para evitar tomar decisões precipitadas por motivos banais (um resfriado, um erro no peso, uma simples coincidência…).

Entretanto, também não seria prudente esperar dois meses de braços cruzados. Diante de um aumento de peso muito inferior ao habitual é razoável realizar um histórico e um exame físico completo, comprovar com a mãe a técnica de amamentação (posição, frequência, mamadas noturnas, chupetas, suprimir os chás e sucos … talvez fazer algum exame complementar se há indícios de alguma doença). Mas tudo deve ser feito com calma e sem assustar a família, já que ainda não sabemos se existe um problema ou não.

Atraso constitucional de crescimento

O atraso constitucional de crescimento trata-se de uma variação normal do crescimento, a causa mais frequente de baixa estatura e atraso da puberdade. Por volta dos 3 ou 6 meses de idade, a velocidade de crescimento (em peso e altura) diminui. O bebê fica no percentil 3 de peso e altura, ou abaixo disso, mas o peso é adequado para a altura.

A idade óssea é adequada para a altura, mas atrasada para a idade cronológica. Depois dos 2 ou 3 anos, a velocidade de crescimento volta a acelerar e essas crianças crescem na parte baixa da curva ou abaixo do percentil 3, mas de forma paralela. O salto de crescimento da puberdade é tardio, motivo pelo qual durante alguns anos elas “saem” ainda mais do gráfico, mas também têm mais tempo para continuar crescendo. Finalmente chega a puberdade e a altura adulta é normal. Em geral, há antecedentes familiares.

É absolutamente normal e não requer tratamento. Infelizmente, muitos desses bebês, quando começam a engordar mais lentamente no segundo trimestre, são “tratados” (obviamente sem nenhum efeito) com mamadeiras complementares, introdução precoce de outros alimentos ou desmame forçado.

Referência Bibliográfica:
  • GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno/ Carlos González; [tradução Maria Bernardes]. São Paulo. Editora Timo, 2014. 240 p. 
  • FOMON, S.j. Nutrición del lactante.Madrid: Mosby/Doyma, 1995.
  • CLARK, P.A. Constitucional Growth Delay.2007. Disponível em <www.emedicinecom/ped/topic472.htm>. Acesso em 31.out.2014
  • RODRÍGUEZ RODRÍGUEZ, I. Diagnóstico de la talla baja idiopática. Disponível em <www.scptfe.com/microsites/Congreso_AEP_2000/Ponencias-htm/Ilde_Rguez.htm>. Acesso em 31.out.2014. 

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