Quando o bebê se recusa a mamar

O comportamento dos recém-nascidos varia muito e depende de uma série de fatores, como sua idade, sua sensibilidade, sua vida intrauterina, seu parto, bem como do que acontece ao seu redor (ambiente, estado emocional da mãe, interferência familiar).

Portanto, muitas vezes, nas primeiras tentativas o bebê se recusa a mamar e tais tentativas podem estar ligadas a uma necessidade de maior aconchego e organização desse bebê para que ele se sinta mais seguro, protegido e se acalme.

Fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e bebê

É de extrema importância o fortalecimento do vínculo mãe-filho, que, segundo pesquisadores, deve ocorrer nas primeiras 12 horas, e especialmente, na primeira hora de vida.

O contato olho no olho, pele a pele e com o bico do seio deve se processar nesta primeira hora, para que a amamentação se estabeleça da forma mais tranquila possível, evitando uma série de complicações. É importante que o pai participe desta experiência.

Vida extrauterina: o bebê se recusa a mamar

Não é demais lembrar que a mãe precisa ser esclarecida das situações consideradas normais e que representam a adaptação do recém-nascido à mudança da vida intrauterina para a extrauterina. Alguns bebês demoram mais do que outros para sugar e efetivamente devemos também respeitar as dificuldades dele e não fazer tentativas seguidas por tempo prolongado. É preciso acalmar o bebê, dar um pequeno intervalo e em seguida fazer nova tentativa.

Técnicas para amamentar ao sentir dor 

Outra causa comum de recusa para mamar é a existência de alguma injúria, em algum local do corpo, que quando pressionada ao se colocar o bebê para mamar possa ocasionar dor. Algumas posições alternativas podem evitar a compressão do ponto doloroso e com isso facilitar a amamentação (por exemplo: se há algum ponto doloroso à direita, segurar o bebê do lado esquerdo e trazê-lo para a outra mama, na mesma posição, ficando as pernas abaixo da região axilar da mãe).

Bicos artificiais durante a amamentação

Diversos trabalhos têm demonstrado que o uso precoce de bicos artificiais ou protetores de mamilo tem contribuído para a existência de um problema de resistência ao aleitamento. Alguns autores defendem que a sucção na mama e com bicos artificiais pode levar à “confusão de sucção” ou de “mamilo”. O uso de chupeta também é desaconselhável. Não há dúvidas de que o uso de chupetas e períodos menores de amamentação, vão prejudicar a produção de leite.

O efeito direto apenas do uso de chupeta sobre a duração da amamentação ainda não foi bem estabelecido. Nas mães que se sentem seguras e confiantes, parece não afetar a duração do aleitamento, no entanto, em mães desconfortáveis na amamentação parece contribuir muito para o desmame precoce. Mais do que ser a real causa do desmame precoce, pode significar um importante sinal de alerta para as dificuldades que a mãe pode estar apresentando com o processo da amamentação.

Levando em conta essas colocações e somando a elas o fato de que bicos artificiais e chupetas são transmissores de doenças e levam a um hábito prolongado (muitas vezes difícil de ser eliminado)m continuamos desestimulando os seus usos. Assim, quando identificado algum problema em relação à recusa recomenda-se a suspensão imediata de bicos e chupetas.

Os “Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno” enfatizam a não utilização de bicos e chupetas em hospitais e maternidades, considerando-se os efeitos na amamentação, base para a Iniciativa Hospital Amigo da Criança. O passo 9 enfatiza “não dar bicos artificiais ou chupetas a crianças amamentadas ao peito”.

As chupetas são geralmente usadas para acalmar o bebê e não fornecem alimentação. Seu uso pode levar à menor frequência de amamentar. Com isto, a estimulação do peito e a retirada do leite da mama podem ficar diminuídas, levando à menor produção do leite, cuja conseqüência é levar ao desmame.

Orientação aos parentes e amigos 

Outra condição que interfere no sucesso da amamentação é a da “ajuda” de parentes e amigos. Na maioria das vezes, com o intuito de colaborar e “ajudar” o bebê a pegar o peito, podem segurar a cabeça ou pressioná-la, e isso faz com que ele tente se debater.

Devemos orientar a mãe e as pessoas envolvidas em melhorar a posição do bebê que não se deve flexionar ou empurrar a cabeça, pois isto irá irritá-lo, fazendo com que não consiga realizar a pega adequada. É necessário também que a mãe esteja relaxada, bem apoiada (costas e pés) se sentindo confortável para que possa posicionar seu bebê adequadamente.

O que fazer quando o bebê resiste à tentativa de ser levado ao seio?

  • Promova o contato pele a pele, o olho no olho, estabeleça o vínculo afetivo;
  • Respeite as dificuldades de cada bebê. Não realize tentativas seguidas por muito tempo;
  • Se o bebê estiver exausto, irritado, o acalme primeiro. Assim que ele estiver bem, faça uma nova tentativa;
  • O uso de bicos artificias é desaconselhável. Por isso, se o bebê estiver recusando o seio, é necessária a suspensão imediata dos mesmos.
  • Se estiver recebendo algum auxílio durante a amamentação de um amigo ou parente, é importante saberem que não se deve segurar a cabeça do bebê ou pressioná-la.

Sugestão de vídeo:

 

Referência Bibliográfica:

  • REGO, José Dias. Aleitamento Materno. 3ª edição. São Paulo. Editora Atheneu, 2015.
  • Artigo: ALVES, Joel Lamounier. O efeito de bicos e chupetas no aleitamento materno. Jornal de Pediatria – Vol. 79, Nº4, 2003.
  • VÍDEO: Canal do Youtube – Amamentar é. Autora: Chris Nicklas (Fundadora e Gestora do “Amamentar é”).  

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