Carta para a mãe que não consegue amamentar

Mamãe, 

Muitas vezes você pode deixar a maternidade e ir para a casa preocupada. Seu bebê pode não mamar direito, você pode sentir dores, os mamilos podem estar com fissuras e rachaduras, mas mesmo assim você deseja amamentar. Saiba que uma hora tudo irá melhorar. O seu companheiro irá procurar fazer o que for preciso para aliviar o seu sofrimento, mesmo que nada seja muito eficiente no momento.

Na primeira consulta ao pediatra, mesmo que leve consigo uma lista enorme de dúvidas, talvez ele também não saberá te orientar com o aleitamento materno e dirá que está tudo bem, avaliando apenas o ganho de peso do bebê, sem olhar de fato para as suas dores, para a sua tristeza e insatisfação por não estar conseguindo amamentar.

Talvez chegará o momento em que você se sentirá esgotada e irá querer comprar o leite artificial, pois já está no seu limite. Talvez você queira apenas um pouco de alívio e esteja tomada pelo desespero.

Em casa as visitas de parentes e amigos podem ser constantes e você ainda não goza da plenitude da maternidade, e todos conseguem perceber isso. Sem ao menos pedir, chega a ouvir conselhos e comentários: “Seu leite é ralo, dê uma mamadeira de leite de vaca para ele”, “olha você aperta o seio e não sai leite”, “ele tem fome, dê leite! Quer que eu vá ao mercado comprar?” “Não precisa sofrer tanto, você foi criada com o leite de vaca”.

Talvez ninguém diga o que você queira ouvir. Talvez ninguém te incentive a procurar ajuda e continuar amamentando. Talvez em um momento de fragilidade imensa, uma das visitas cometa “um crime” e prepare a fórmula para dar ao seu bebê, o que o fará dormir por várias horas por esse tipo de leite ter a digestão mais lenta e dar mais saciedade ao bebê. Mas, mesmo assim, não desista. Reacenda a sua vontade em amamentar, e ninguém será capaz de impedir.

Para completar, o seu bebê pode sofrer de cólicas todas as noites. Mas, ali haverá um anjo que estará observando vocês e os ajudará a superar os obstáculos. Esse anjo lhe mostrará que o seu bebê pode estar amamentando errado, que a posição poderá estar totalmente torta, que o bebê pode não estar abocanhando toda a aréola. E aí, você nunca se esquecerá da voz, do rosto, da paciência desse anjo que te apoiou quando você estava significantemente esgotada.

Você nunca mais sentirá dores, porque recebeu as orientações que precisava. A introdução de novos alimentos começará no 6º mês, e o seu bebê talvez não queira mais mamar o peito, talvez ele te rejeite, talvez se sinta culpada, mas nunca aceite esta situação, continue insistindo.

Pouco a pouco você poderá produzir menos leite, porque talvez não saiba como fazer a ordenha manual para que possa manter a lactação. O desespero pode te consumir e isso só irá atrapalhar ainda mais.

Por isso eu te digo: o anjo que estará te observando e cuidando com um olhar de amor e carinho de você e do seu bebê, são aqueles profissionais que abraçam o seu desespero, as suas dificuldades, e desejam te proporcionar a plenitude da maternidade principalmente com o ato de amamentar, com o fortalecimento do vínculo afetivo. Procure se informar, ler artigos, pedir ajuda, mas não desista dos seus sonhos, não desista mesmo que existam milhares de pessoas contra a sua vontade, mesmo que elas insistam em te aborrecer com comentários desmotivadores. Não se sinta culpada, os obstáculos surgem para lhe tornar mais forte. Não se sinta menos mãe, apenas tente se essa for a sua vontade, e acredite que ainda há profissionais preocupados com o seu bem-estar e o bem-estar do seu bebê. Amamentar não é impossível, mas também não é fácil. Você não está sozinha nessa, vamos juntas!

Grande beijo,

Carta para a mãe que não consegue amamentar

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