Como fica a vagina após o parto normal?

Pré e pós-operatório

As cirurgias podem ser realizadas com anestesia local e sedação. O pré e pós-operatório, segundo Dr. Ariosto, são tranquilos. “No pré-operatório devem ser feitos exames de rotina. A cirurgia é realizada em ambiente hospitalar. Após a operação, a paciente fica internada por algumas horas e depois pode ir para casa. A maior parte das pacientes pode volta a trabalhar em três a cinco dias. Durante os primeiros 15 dias, deve-se evitar a exposição aos raios solares, praia, piscina e atividades físicas em geral. A relação sexual só é permitida, no mínimo, 20 dias após a cirurgia”, recomenda.

É importante ressaltar que os pontos dados no local são com fios absorvíveis, não precisam ser retirados. Já a cicatriz é praticamente imperceptível. “Durante a cirurgia, ao apertar os pequenos lábios vaginais, devemos tomar muito cuidado para não retirar tecidos em excesso, pois os pequenos lábios desempenham a função de proteção do introito vaginal. E o excesso pode provocar infecções na vagina. A sensibilidade é também algo a que fico muito atento. A vagina é uma região extremamente sensível, a cirurgia não pode ser agressiva com risco de alterar a sensibilidade da mulher”, adverte.

Melhora no sexo 

Muitas mulheres se sentem incomodadas depois de um parto normal, pois suas vaginas parecem que ‘alargaram’. O advogado carioca Paulo Santana diz que, após o nascimento do seu primeiro filho, sua mulher ficava com vergonha de ficar nua na sua frente. Foi então que ele, informado sobre o assunto, a convenceu de fazer a cirurgia vaginal. “Depois da cirurgia, parecia que a minha mulher tinha voltado a ser virgem. Confesso que foi um fetiche especial para mim”.

Após três partos normais, a professora carioca Eliane Nunes, que tem filhos de 12, 10 e 7 anos, sentiu que o seu órgão mais íntimo estava diferente. “Por mais que eu tenha feito vários exercícios pós-parto, não voltei mais a ser como era. Nem pensei duas vezes, fiz logo a cirurgia após o terceiro parto. Hoje nem parece que tive três filhos”, afirma.

O que Eliane não sabia era que isso iria afetá-la em outros níveis. “Dias depois me senti diferente, muito mais confiante na hora de ter relações sexuais com meu marido. Foi fantástico. E, claro, ele reparou que minha vagina estava mais delicada. Eu não fazia ideia que pudesse voltar a ter todas essas sensações”, recorda.

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A artista plástica paulista Luiza Câmara, desde que foi mãe pela primeira vez, há quatro anos, diz que se sente incomodada. “O que pretendo fazer é um procedimento interno, uma correção apenas. Não quero que a minha vagina fique só bonitinha, mas quero deixar de sentir certo incômodo que sinto durante a relação sexual. Sei lá, parece que ‘ela’ está um pouco maior, mais larga do que antes, depois da gravidez. E isso vem me incomodando demais”, explica.

De fato, existe uma grande procura por remodelação da área vaginal logo após a gravidez, afirma Dr. Ariosto Santos. “Mas as mulheres precisam de, pelo menos, seis meses a um ano, para reavaliarem o seu corpo. Antes de procurar a cirurgia, a paciente precisa perder peso, fazer atividade física e esperar o inchaço provocado pela ação hormonal passar. Nesse caso, se o parto foi normal, é muito comum que a mulher queira corrigir a flacidez do orifício vaginal. Essa correção pode ser feita através da cirurgia de perineoplastia”, diz.

Dr. Ariosto afirma que a demanda por cirurgias íntimas se dá, muitas vezes, pela insatisfação estética ou sexual. “Aproximadamente 90% das mulheres que procuram os consultórios são por motivos estéticos. Existem aquelas pacientes que procuram a cirurgia devido à insatisfação sexual também, mas nesses casos, a paciente geralmente tem uma fixação muito grande na genitália. Em situações como esta, a recomendação é que antes da cirurgia, a paciente passe por uma avaliação psicológica”, recomenda.

Como vai o seu períneo?

Se perguntarmos a dois terços das jovens mamães, como vai o seu períneo, elas respondem: “o meu períneo? Vai muito bem obrigada!” No entanto, muitas delas não sabem o que é o períneo nem onde ele se situa. Numerosas são as que não conhecem as suas múltiplas funções, nem a sua importância fundamental ao longo da vida. Praticamente nenhuma imagina o quanto ele ficou fraco com a gravidez e o parto. Em contrapartida, o “disfunção do pavimento pélvico” (para utilizar os termos que se podem ouvir no médico) é uma grande preocupação do mundo médico atual. Pouco a pouco, as mulheres descobrem que os problemas de incontinência urinária (que dizem respeito a mais de metade das mulheres, pelo menos uma vez ao longo da sua vida) e a descida de órgãos (prolapso) são provocados em grande parte por uma fraqueza do períneo.

O pavimento pélvico

Vejamos como funciona o pavimento pélvico: os músculos do pavimento pélvico formam um oito (8) (fig. ao lado). O seu tamanho é comparável ao da palma da mão e é composto por uma dezena de músculos entrelaçados em todos os sentidos que se organizam em volta de diferentes orifícios. O círculo de cima envolve a abertura da vagina e da uretra e o círculo de baixo envolve a abertura do ânus.

Funções do períneo

O bom estado destes músculos pélvicos é fundamental para manter a integridade e o bom funcionamento da vagina e da uretra e a posição dos órgãos dentro da pélvis. Os músculos pélvicos controlam o fluxo de urina, a contração (aperto) da vagina e o bom encerramento do ânus. Tanto a uretra quanto o ânus têm um esfíncter (músculos especiais que funcionam como fechaduras) que garantem a retenção da urina e fezes. O pavimento pélvico é composto por várias camadas de músculos suspensos como uma “rede de pesca” pendurada em dois pontos, na frente e atrás da pélvis. Além dessa rede, os músculos também formam um triângulo.

O que pode afetar o períneo

Os partos em mulheres de mais de 38 anos. A atividade esportiva, sobretudo nos esportes cujos esforços abdominais se exercem fortemente sobre o períneo (corrida a pé, tênis, saltos…). O transporte de cargas pesadas em certos empregos ou em situações do dia a dia. O ter de caminhar o dia inteiro ou estar em pé muitas horas diárias. Por último e talvez o mais importante temos a gravidez e o parto.

A gravidez e o parto

Durante a gravidez o peso do útero multiplica-se por 20 ou 30. Ao alargar-se, ele comprime a bexiga para baixo. A pressão aumenta fortemente sobre o períneo. As hormonas da gravidez têm um efeito relaxante sobre os ligamentos e os músculos do corpo. Assim, os órgãos abdominais, que são mais pesados, estão menos bem suspensos e por isso dependem muito mais da sustentação do períneo, que por sua vez está mais relaxado. Por estas razões, as mães que tiveram os seus bebês por cesariana devem também investir na reeducação perineal, pois o simples facto de ter estado grávida enfraquece o períneo.

O parto normal constitui mais uma etapa crítica. A passagem da criança pela fileira genital distende, de maneira espantosa, as fibras musculares do períneo. Depois de um parto vaginal, o períneo perde pelo menos 50% da sua força muscular. Normalmente, os sintomas só aparecem progressivamente. A seguir a um 1º filho, a jovem mãe não se apercebe logo da falta de tonicidade desses músculos que ela conhece mal. É com o passar do tempo, com a chegada de outras gravidezes e, com certeza, o envelhecimento muscular natural, que os verdadeiros sintomas vão aparecer.

Durante estes últimos ano pensou-se que a episiotomia era a melhor arma contra as distensões do períneo e uma das suas principais consequências: a incontinência. Ultimamente, com o passar do tempo, apercebemo-nos que essa intervenção não tem feito baixar o número de casos de incontinência e já se está a por em causa a eficácia deste procedimento que se tornou numa prática rotineira nos nossos hospitais.

A sexualidade e o períneo

Um dos aspectos mais importantes da recuperação pós parto é a “reconciliação” com o seu próprio corpo, especialmente com a zona genital. Depois do parto, o retorno da vagina às suas dimensões normais e consequentemente a qualidade das relações sexuais, está ligada à tonicidade do períneo. Este é um dos benefícios, subtis e pouco abordados pelos médicos, da reeducação perineal, que é essencial depois do nascimento do seu 1º bebê.

Sintomas de um períneo enfraquecido

Quando esses músculos enfraquecem, a mulher pode ter os seguintes sintomas:

A mulher sente como que um peso, um apoio a nível genital, frequentemente à noite, depois de um dia em que esteve muito tempo de pé. Este peso é um sinal de alarme que deve levar a mulher a consultar o médico para evitar o aumento dos problemas.

Sente que vagina está pouco firme para as relações sexuais – às vezes nem ela nem o companheiro sentem prazer;

Dificuldades em reter a urina, quando salta ou corre ou quando ri ou tosse;

O útero pode ficar muito perto da abertura da vagina (útero descaído);

Dificuldades em reter os gases ou as fezes.

Na maioria das vezes, os exercícios pélvicos podem prevenir e tratar esses problemas.

O que é a Reeducação do Períneo

Durante a gravidez, momento que mais se exige de um períneo, há que tomar consciência deste, de maneira a poder contraí-lo ou descontraí-lo. Após o nascimento, passa-se à reeducação propriamente dita. O trabalho abdominal não deverá ser demasiado precoce nem muito intenso antes da recuperação do períneo. Concretamente, é necessário restabelecer o equilíbrio do períneo, graças a técnicas de respiração abdominal que não se apoiam nesses músculos. Depois, passa-se a reforçá-lo por meio de uma série de contrações e relaxamentos.

O trabalho de reeducação pode iniciar-se pouco tempo depois do parto, evitando que lesões pouco visíveis se instalem. A body ball é um excelente acessório para a percepção e reabilitação destes músculos. Mesmo aos cinquenta anos ou mais, quando surgem problemas, as técnicas de reeducação são praticamente as mesmas. Nunca é tarde para proceder a reeducação do períneo. Os resultados não serão tão bons como quando se é mais jovem, mas é sempre compensador. Mesmo nos casos em que é necessário recorrer à cirurgia, a reeducação efetuada antes e depois da intervenção contribuem para aumentar a sua eficácia.

Parto normal

2 Comments on Como fica a vagina após o parto normal?

  1. Beatriz
    Fevereiro 14, 2017 at 3:15 am (10 meses ago)

    Tenho 4 filhos e sinto que minha relação com meu marido mudou muito ,as vezes sinto que ele finge está tendo excitação na hora das relações sexuais gostaria muito de ajuda

  2. lorena
    Fevereiro 15, 2017 at 3:37 pm (10 meses ago)

    Boa tarde Bia!

    Após o parto normal, muitas mulheres sentem a “estrutura vaginal” diferente, e isso acontece porque a própria gravidez causa um afrouxamento da musculatura do abdômen e do útero, independente se o parto foi normal ou cesárea. Se você sente a vagina mais larga ou frouxa, pode iniciar exercícios que fazem parte da fisioterapia uro-ginecológica afim de fortalecer a musculatura da região do períneo. Essa fisioterapia consiste em diariamente contrair o períneo, fazendo o mesmo movimento de contrair usado para segurar o xixi. Faça durante uns 5 minutos, de três a quatro vezes por dia. Agora, se tratando de “excitação” do homem, é bem mais complicado para o homem fingir do que a mulher, pois, se não houver ereção, não existe excitação, e acredito que este não é o seu caso. Fique tranquila, é normal ter estes pensamentos após o parto normal. Grande beijo!

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