O leite materno se transforma de uma mamada para a outra

Os nutrientes do leite materno são essenciais para o desenvolvimento infantil. Por isso, a mãe deve deixar o pequeno sugar o peito até esvaziá-lo, garantindo que todos os quatro tipos do alimento sejam aproveitados pela criança. Entenda a diferença a seguir:

Visão sistêmica da composição do leite materno 

Em uma visão sistêmica da composição, o leite humano reúne mais de 150 substâncias diferentes. Uma mistura homogênea que ao microscópio apresenta-se em 3 frações: emulsão, suspensão e solução.  A fração emulsão corresponde à fase lipídica do leite humano, na qual se concentram os óleos, as gorduras, os ácidos graxos livres, as vitaminas e demais constituintes lipossolúveis.

A fração suspensão refere-se à fase suspensa do leite humano, na qual as proteínas e quase a totalidade do cálcio e fósforo encontram-se presentes na forma micelar, constituindo uma suspensão coloidal do tipo gel.

A fração solução congrega todos os constituintes hidrossolúveis, como vitaminas, minerais, carboidratos, proteínas do soro, enzimas e hormônios.

Composição do leite materno

A composição do leite materno é diferente de uma mulher para outra. Na mesma mãe, varia entre mamas, em horários diferentes de mamadas e até no decurso da mesma mamada. Seu conteúdo fornece uma nutrição completa para o bebê, exceto em casos de mães muito desnutridas em que o teor de gorduras, vitamina A e do complexo B podem ficar prejudicados.

O valor nutricional do leite humano varia durante a mamada e verifica-se diferença de valor nutricional entre o leite anterior e o leite posterior, sendo que este último contém 3 vezes mais lipídios e teor maior de proteínas. Sendo assim, é extremamente importante que o bebê receba o leite do fim da mamada, o que lhe proporcionará o adequado aporte energético.

A qualidade da proteína no leite materno (70% de soro e 30% de caseína) difere da encontrada no leite de vaca (20% de soro e 80% de caseína). O tipo de proteína contida na fração do soro também difere no leite humano e no bovino, compostos respectivamente por alfalactoalbumina e betalactoglobulina. Além disso, o leite materno contém lactoferrina, lisozima e IgA secretora em quantidades expressivamente superiores do que o leite bovino, que apresenta apenas traços dessas proteínas.

Composição do leite materno

Proteínas: As proteínas do leite materno são quantitativamente diferentes das do leite da vaca. Do conteúdo proteico materno 60% é constituído de lactoalbumina. No leite de vaca a principal proteína é a caseína, que representa 80% da proteína total.

Carboidratos: A lactose, açúcar dissacarídeo encontrado apenas em leites, é o principal carboidrato do leite materno, no qual também estão presentes pequenas quantidades de galactose, frutose e outros oligossacarídeos. No colostro, a concentração de lactose é de 4% e aumenta até 7% no leite maduro. Além de seu papel nutricional, a lactose tem outras funções como efeito protetor.

Lipídeos: São considerados a principal fonte energética para os recém-nascidos, pois suprem 40 a 50% das calorias necessárias ao seu desenvolvimento. Os ácidos graxos são essenciais para o metabolismo cerebral, assim como no transporte de vitaminas e hormônios lipossolúveis. As concentrações de gordura passam de aproximadamente 2g/100mL no colostro para 4 a 4,5g/100mL no 15º dia após o parto. A concentração de gordura do leite final é superior à do leite inicial, chegando a 4 a 5 vezes mais. O maior teor no final da mamada é responsável pela saciedade.

Vitaminas: O leite materno contém vitaminas suficientes para a criança, com exceção da vitamina D. O conteúdo de vitamina A, no leite materno, é adequado para o lactente. A quantidade de vitamina A no colostro é o dobro no leite maduro.

A vitamina D é conhecida por desempenhar um importante papel no metabolismo ósseo através da regulação de cálcio e fosfato, além de desempenhar relevante função na regulação do sistema imunológico. A concentração de vitamina D no leite materno é baixa, sendo insuficiente para as necessidades da criança, que são de 10 mcg/dia. Por isso, os bebês são dependentes do leite materno, da luz solar ou suplementos como fontes de vitamina, nos primeiros meses de vida.

O leite humano fornece 2UI/L de vitamina E, quantidade que geralmente atende às necessidades do lactente normal, a menos que a mãe esteja consumindo excesso de gordura polinsaturada na dieta, sem o concomitante aumento de ingestão da vitamina E.

A concentração de vitamina K, nos primeiros dias de pós-parto é maior no colostro e no leite do final das mamadas. Nos recém-nascidos prematuros, que não são amamentados nas primeiras horas de vida, há risco maior de desenvolver a doença hemorrágica. Duas semanas após o nascimento, a flora intestinal já fornece a maior parte de vitamina K. Por isso, é recomendada administração profilática de vitamina K a todo recém-nascido imediatamente após o parto.

A vitamina C está em concentração adequada no leite materno. Também em mulheres que usam anticoncepcionais orais por muito tempo podem ter níveis diminuídos de vitamina B6 no leite materno.

Minerais e oligoelementos: O recém-nascido, para ter um bom crescimento e saúde, depende também de uma alimentação com oferta adequada em oligoelementos. Os oligoelementos são elementos de baixo peso molecular, podendo ser definidos como os catalisadores das reações enzimáticas dos seres vivos. Apesar de sua presença no organismo ser em quantidades pequenas ou até ínfimas, sua função é imprescindível para que o equilíbrio orgânico se mantenha.

O Ferro é um dos oligoelementos mais importantes do metabolismo das células vivas e é necessário para a eritropoese e síntese de enzimas. A anemia ferropriva traz comprometimento no desenvolvimento neuropsicomotor, na função cognitiva e na imunidade. A deficiência de zinco causa diminuição no crescimento, prejudica a função imune e aumenta a suscetibilidade às doenças. O Cobre deficiente pode causar anemia, prejudicar a função imune e causar anormalidade óssea e do tecido conjuntivo.

Colostro

Apresenta-se transparente, de coloração amarelada, com aparência viscosa, extremamente rico em proteínas, vitaminas hidrossolúveis e lipossolúveis (incluindo A, E e K), gorduras, sais minerais, lactose e além disso, favorece a multiplicação de lactobacillus bifidus, que por sua vez beneficia o aumento da flora intestinal e facilita a expulsão do mecônio. Também é constituído por uma alta concentração de imunoglobulinas, principalmente IgA e IgG que estabelecem a primeira imunização e fortificam o sistema imunológico do recém-nascido. Contudo, há fatores de crescimento que auxiliam no amadurecimento do sistema digestivo e de defesa, além de outros fatores protetores.

Leite anterior

Composto por muita água, carboidratos e algumas proteínas, esse é o leite que sai no início da mamada. É mais claro e ralinho.

Leite posterior

Esse é o leite que garante a saciedade do bebê e o aumento de peso. Rico em proteínas e gorduras, ele vem na parte final da mamada. Por isso, é importante esvaziar um seio antes de oferecer o outro. Caso contrário, o pequeno se alimentará apenas com leite à base de água e açúcar.

O bebê regula a composição do leite materno

O bebê pode regular à vontade a composição do leite modificando três fatores: o tempo entre duas mamadas, a quantidade de leite ingerida em cada mamada, e se mama de um peito só ou dos dois. Não se sabe se o bebê é capaz de regular também outros aspectos da composição do leite. Se a ingestão calórica é fixa, os que decidirem mamar menos gorduras terão, por outro lado, mais proteínas e lactose. Em algumas mulheres a concentração de proteínas é muito diferente de um peito para o outro, o que poderia estar relacionado com a preferência que alguns bebês desenvolvem por um dos peitos.

composição do leite materno

Diferença de composição

O leite materno apresenta composição diferente em cada fase da mamada. No início ele é mais claro, mais aguado, pois é adequado para matar a sede do bebê. Uma fase intermediária tem mais proteínas, para o crescimento do neném e, por fim, na terceira fase há predominância de gordura, o que favorece o ganho de peso. Ou seja:

  • O leite do início da mama serve para matar a sede do bebê.
  • O leite do meio da mama serve para o crescimento do bebê.
  • O leite do fim da mama serve para engordar o bebê.
Referência Bibliográfica: 
  • REGO, José Dias. Aleitamento Materno – “Uso de Medicamentos, Drogas e Cosméticos durante a amamentação”. 3ª edição. São Paulo. Editora Atheneu, 2015.
  • MARIANO, Grasielly – “Socorro, eu não sei amamentar!”. 2ª edição – Nova Odessa: Napoleão; Jefte, 2012. 128 p.
  • GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno/ Carlos González; [tradução Maria Bernardes]. São Paulo. Editora Timo, 2014. 240 p. 

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