Como funciona o controle do volume de leite materno?

Os principais hormônios que regulam a produção de leite promovendo o controle do volume de leite são a prolactina, a ocitocina e o FIL (fator inibidor da amamentação, “feedback inhibitor of lactation” em inglês).

Como acontece o controle do volume de leite?

Tanto a ocitocina como a prolactina são secretadas na hipófise, em resposta à estimulação do mamilo. A prolactina atua sobre as células secretoras da mama, estimulando a secreção do leite, enquanto a ocitocina atua sobre as células mioepiteliais, provocando sua contração e a ejeção do leite.

Prolactina 

O nível de prolactina aumenta consideravelmente durante a gravidez. Contudo, os estrogênios da placenta inibem sua ação e a produção de leite é quase nula. Com o parto, a expulsão da placenta, os níveis de estrogênio caem rapidamente. Assim, a prolactina entra em ação e instaura a secreção do leite (o que é conhecido na Espanha por “subida do leite” e na maior parte da América como “descida do leite”).

Durante a amamentação, o nível basal de prolactina é sempre alto, e aumenta ainda mais quando o bebê mama. Nas horas posteriores à mamada, o nível de prolactina cai gradualmente. Se o bebê volta a mamar antes que o hormônio alcance o nível basal, o novo pico de prolactina alcançará um valor ainda mais alto. As mamadas frequentes, ainda que breves, estimulam melhor a produção de leite que as mamadas longas, pouco frequentes.

Durante a noite, tanto os níveis basais quanto os picos de prolactina são mais altos. As mamadas noturnas são importantes para a manutenção da amamentação.

Depois de uns meses de amamentação, tanto o nível basal quanto os picos de prolactina são mais baixos, apesar da quantidade de leite ser maior. Parece que a prolactina perde importância no controle local da produção de leite.

Ocitocina

A ocitocina é secretada em picos de apenas alguns minutos de duração. O reflexo de ejeção de ocitocina, ou reflexo de ejeção do leite, é condicionado de forma espontânea. Não é necessário o estímulo físico do peito, mas basta um estímulo condicionado (ouvir a criança chorar, ver a criança, pensar em dar o peito…) para desencadear o reflexo.

Muitas mulheres notam esse reflexo como uma sensação de formigamento ou pressão no peito, ao mesmo tempo em que o leite pinga. Os nomes populares são muito variados: “descida do leite”, “apojadura”, “aumento do leite”. Algumas mulheres nunca notam essa descida, embora a amamentação transcorra normalmente e a quantidade de leite seja adequada.

O medo e a preocupação podem inibir temporariamente o reflexo de ejeção do leite, e portanto dificultar a amamentação  por dois mecanismos: inibição direta do reflexo condicionado de produção de ocitocina e efeito antagônico da adrenalina. É a história que tantas mães já ouviram: “Teve um desgosto e o leite secou”.

Acredita-se que é um mecanismo com valor adaptativo: quando a fêmea tem que fugir o leite para de sair imediatamente, já que caso contrário ela iria deixando um rasto de leite muito fácil de ser seguido por qualquer predador. Mas, a secreção de prolactina e, portanto, a produção de leite não se altera. Nesses casos é preciso garantir à mãe que, se ela se sentar tranquilamente para dar o peito, o leite voltará a sair.

Outros medos e preocupações, entre eles o medo de não ter leite o suficiente, inibem a ocitocina e dificultam a amamentação. Mas seria um erro pensar que “o estresse da vida moderna” ou a insegurança da mãe impedem a amamentação. Durante milhões de anos as mulheres deram o peito estando submetidas a preocupações muito mais estressantes: escravidão, guerra, fome e doenças.

O verdadeiro problema é que, hoje em dia, quando a descida do leite é um pouco lenta, quando o bebê chora e fica nervoso, a mãe recorre rapidamente à mamadeira,  muitas vezes com a amostra grátis de leite que recebeu ao sair do hospital. É a mamadeira, e não a preocupação, o que acaba destruindo a amamentação.

volume de leite

FIL (Feedback Inhibitor of Lactation)

O FIL, fator inibidor da amamentação, é um peptídeo que foi identificado no leite humano e no de outros mamíferos. Se o bebê mama muito, extrai o inibidor e produz-se muito leite. Se o bebê mama pouco, o inibidor permanece no peito e produz-se pouco leite. O leite é fabricado de modo contínuo, o que pode ser demonstrado através de medições em série do volume mamário. Desse modo, a produção de leite se adapta perfeitamente às necessidades da criança, de uma mamada à outra e separadamente para cada peito.

Depois dos seis meses de amamentação, a eficácia do tecido mamário para fabricar leite aumenta, o que permite manter uma produção apreciável apesar dos seios diminuírem de volume.

 

Isto é o que acontece com a glândula mamária quando um bebê suga o peito. Neste vídeo aparece a contração dos alvéolos (pequenas unidades produtoras de leite) em resposta à ocitocina liberada pelo cérebro da mãe após a sucção do bebê.

Referência Bibliográfica:
  • GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno/ Carlos González; [tradução Maria Bernardes]. São Paulo. Editora Timo, 2014. 240 p. 
  • Isa Crivellaro. Curso avançado em amamentação – CONALCO. Blog: Tetê nosso de cada dia. 2016. 
  • VÍDEO: Contracción de la Glándula mamaria frente a la succión del bebé (http://www.pnas.org/content/112/18/5827.long

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