Desenvolvimento cardiovascular do feto: 2ª à 40ª semana

O sistema cardiovascular é o primeiro sistema importante a funcionar no embrião. O coração primitivo e o sistema vascular surgem durante a terceira semana do desenvolvimento. Esse desenvolvimento precoce é de fundamental importância para o embrião, visto que a difusão somente não é capaz de suprir suas necessidades de oxigenação e nutrição. Assim, o sistema cardiovascular é um método eficiente de captação de oxigênio e nutrientes do sangue maternos e de remoção de dióxido de carbono e dos restos metabólicos. Esse sistema deriva de: mesoderma esplâncnico, mesoderma paraxial e lateral e de células da crista neural. O coração começa a bater no início da quarta semana.

As células mesenquimais formam os tubos cardíacos, os quais se unem para formar o primórdio do sistema cardiovascular. O mesoderma esplâncnico que envolve o tubo cardíaco forma o miocárdio primitivo. O coração primitivo é constituído de quatro câmaras: bulbo cardíaco, ventrículo, átrio e seio venoso.

O primórdio da aorta e do tronco pulmonar, o tronco arterial, continua-se caudalmente com o bulbo cardíaco do coração primitivo que se torna parte do ventrículo. Entre a quarta e a sétima semana, ocorre a septação do coração, com a formação das quatro cavidades.

DESENVOLVIMENTO DOS VASOS

Três pares de veias escoam para o coração tubular:

As veias vitelínicas, que seguem do saco vitelino para o embrião e se tornam o sistema portal;

As veias umbilicais, que levam sangue oxigenado da placenta para o seio venoso e involui após o nascimento;

As veias cardinais comuns, principal sistema de drenagem venoso do embrião e formam o sistema cava.

As artérias faríngeas que surgem do saco aórtico invadem os arcos faríngeos que são formados durante a quarta e a quinta semana. Os arcos aórticos se transformam no sistema arterial do adulto, nas artérias carótidas, subclávias e pulmonares durante a sexta e a oitava semana.

As artérias vitelínicas passam para o saco vitelino e, posteriormente, para o intestino primitivo, as artérias umbilicais passam apara o pedículo do embrião e continuam com os vasos do córion.

SISTEMA DE CONDUÇÃO DO CORAÇÃO

No início o tecido muscular atrial, o tecido atrial e ventricular são contínuos. O átrio primitivo atua como um marcapasso provisório, controlando o ritmo do coração. O nó sinoatrial( SA) desenvolve-se na quinta semana No septo interatrial se desenvolve o no AV e no septo interventricular o feixe AV (feixe de Hiss), o qual se divide em ramos direito e esquerdo. O nó AS, o nó AV e o feixe AV são ricamente inervados, porém o sistema condutor está bem desenvolvido antes de esses nervos entrarem no coração.

ANOMALIAS CONGÊNITAS

O período que decorre do vigésimo ao qüinquagésimo dia após a fecundação é caracterizado como o período critico do desenvolvimento do coração, devido ao fato de que diversos eventos importantes ocorrem nessa fase. A alteração dos padrões normais de desenvolvimento em um momento desse período tem alta probabilidade de promover uma anomalia congênita do coração. Agentes teratogênico, choques mecânicos e outros fatores podem gerar essas anomalias.

Os pulmões não funcionam durante a vida pré-natal por isso o sistema cardiovascular é estruturado de maneira que o sangue seja oxigenado na placenta e em grande parte desviado dos pulmões. Após o nascimento ocorrem modificações progressivas no padrão circulatório que se estendem durante a infância. Falhas nas modificações no sistema circulatório durante o nascimento resultam em duas das mais comuns das anomalias congênitas dos corações e dos grandes vasos: forame oval patente( forame que comunica os átrios).

CIRCULAÇÃO FETAL

Existem três estruturas vasculares importantes na transição da circulação fetal para a neonatal: ducto venoso, forame oval e ducto arterial.

Circulação fetal: o sangue oxigenado chega da placenta através da veia umbilical. Ao se aproximar do fígado o sangue passa diretamente para o ducto venoso, um vaso fetal que comunica a veia umbilical com a veia cava inferior. Percorrendo a veia cava inferior, o sangue chega no átrio direito e é direcionado através do forame oval para o átrio esquerdo.

Assim, neste compartimento o sangue com alto teor de oxigênio vindo da veia cava se mistura com o sangue pouco oxigenado vindo das veias pulmonares, já que os pulmões extraem oxigênio e não o fornece. O ducto arterial, ao desviar o sangue da artéria pulmonar para a artéria aorta, protege os pulmões da sobrecarga e permite que o ventrículo direito se fortaleça para a sua total capacidade funcional ao nascimento.

Circulação neonatal de transição: após o nascimento o ducto arterial, o ducto venoso, o forame oval e os vasos umbilicais não são mais necessários. Dessa forma, ocorre o fechamento do forame oval e o ducto venoso e arterial se contraem. O fechamento do forame oval ocorre pelo aumento de pressão no átrio esquerdo que pressiona a sua válvula contra o septum secundum.

O fechamento do ducto arterial parece ser mediado pela bradicinina, uma substância liberada pelos pulmões durante a sua distensão inicial. Essa substância tem potentes efeitos contráteis na musculatura lisa, atuando na dependência do  alto teor de oxigênio do sangue aórtico. Assim, quando a pressão de oxigênio for maior que 50 mmhg no sangue que passa através do ducto arterial promove a sua contração.

O fechamento do ducto venoso ocorre pela contração do seu esfíncter, possibilitando que o sangue que entra no fígado percorra os sinusóides hepáticos. Porém, vale ressaltar que a mudança do padrão circulatório fetal para o padrão adulto não ocorre repentinamente. Algumas alterações ocorrem com a primeira respiração e outras após horas e dias.

Derivados Adultos de Estruturas Vasculares Fetais

A porção intra-abdominal da veia umbilical se torna o ligamento redondo do fígado.

O ducto venoso se transforma no ligamento venoso.

O forame oval normalmente se fecha ao nascimento. O fechamento anatômico ocorre no 3º mês e resulta da adesão do septum primum na margem esquerda do septum secundum, assim, o septum primum forma o assoalho da fossa oval.

CIRCULAÇÃO NO CORAÇÃO PRIMITIVO

O coração primitivo é composto de seio venoso, válvula sinoatrial, átrio primitivo, ventrículo primitivo, bulbo cardíaco e tronco arterial.

No final da 4ª semana de desenvolvimento as contrações coordenadas do coração levam a um fluxo unidirecional do sangue. Antes, era do tipo fluxo-refluxo.

O caminho a ser percorrido pelo sangue é do seio venoso para o tronco arterial, e quando o sangue chega neste compartimento vai para o saco aórtico, de onde é distribuído para os arcos aórticos, passando então para a aorta dorsal.

Entre a metade da 4ª semana e no final da 5ª semana ocorre a septação do coração primitivo. Isto é, septação do canal atrioventricular.

O início da septação se dá com a formação dos coxins endocárdicos nas paredes ventrais e dorsais do canal atrioventricular. Eles se fusionam e divide o canal AV em canais AV direito e esquerdo. Separando o átrio do ventrículo, primordialmente.

Os coxins endocárdicos são originados a partir da matriz extracelular que é secretada entre o endocárdio e o miocárdio. Quando o dobramento cardíaco está próximo do fim, algumas das células endocárdicas nos coxins sofrem uma transformação epitélio-mesenquimal (EMT) gerando o mesênquima que invade a matriz extracelular e se diferencia em tecido conjuntivo. O desenvolvimento correto dos coxins é essencial para a septação completa – que é a geração da porção membranosa (ou fibrosa) dos septos interventricular e atrial e a separação da aorta e da artéria pulmonar.

Os neonatos de mães diabéticas têm um risco quase que três vezes maior de ter defeitos cardíacos congênitos, isso porque a hiperglicemia parece agir como um teratógeno através da inibição da EMT, necessária para a formação dos coxins.

A princípio, o canal atrioventricular que ficava predominantemente à esquerda parece passar por uma mudança relativa para a direita. Assim, o átrio direito pode se comunicar diretamente com o ventrículo direito. Além disso, com a circulação aórtica e pulmonar, o ventrículo esquerdo pode se conectar com o tronco arterial através do forame interventricular. Acredita-se que fatores hemodinâmicos sejam importantes para a modelagem da anatomia do sistema circulatório.

No final da 4ª semana ocorre a septação do átrio primitivo, dividindo-o em átrio direito e átrio esquerdo. Essa septação se inicia com a formação do septum primum, uma fina membrana em forma de meia-lua começa a surgir a partir do teto do átrio em direção aos coxins endocárdicos em fusão. Esse processo dá origem  ao forâmen primum.

Antes da  obliteração total do forâmen primum, perfurações no septum primum aparecem, resultantes de apoptoses, representando o forâmen secundum. Inicia-se a formação do septum secundum e a degeneração cranial do septum primum.

Como a formação do septum secundum é incompleta ocorre a formação do forame oval. Assim,  o septum secundum divide incompletamente o átrio  e a parte distal do septum primum funciona como uma válvula(válvula do forame oval). A fossa oval é um vestígio(remanescente) do forame oval.

DESENVOLVIMENTO EM SEMANAS

2 a 4 semanas

O coração começa a formar-se.

A circulação sanguínea começa.

Eritrócitos primitivos circulam.

O batimento cardíaco tubular pode ser detectado em torno de 24 dias.

5 a 7 semanas

Começa a divisão dos átrios.

As câmaras cardíacas estão presentes.

Os batimentos cardíacos fetais estão presentes.

Grupos de células sanguíneas são identificáveis.

8 semanas

O desenvolvimento do coração está concluído.

16 a 20 semanas

O batimento cardíaco fetal pode ser ouvido com um estetoscópio especial.

Feto

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