É possível amamentar quando o bebê tem fenda palatina ou fissura labial?

O aleitamento materno previne a otite nos bebês com fenda palatina. Em caso de aspiração, o leite materno produzirá menos problemas que o leite artificial. Por isso, é muito importante que o recém-nascido com fenda palatina beba o leite materno, por qualquer meio.

O ganho de peso não é ponderal

Poucos bebês podem mamar diretamente, em posição vertical. Muitos mais podem mamar se o defeito do palato é tapado com uma prótese macia, tipo Hotz. Ás vezes se dá leite extraído através da sonda nasogástrica. É importante lembrar que, qualquer que seja o método de alimentação, o ganho de peso costuma ser escasso. O leite artificial não é a solução.

Depois da intervenção cirúrgica, costumava-se alimentar esses bebês com colherzinha ou através de sonda, evitando o peito ou a mamadeira por medo de que os pontos se soltassem com o movimento. Porém, os pontos se moverão muito mais se o bebê chorar. Foi demonstrado que podem mamar no peito imediatamente após a intervenção, sem problemas e com um maior ganho de peso.

Alterações na mandíbula, nariz e boca

As alterações na mandíbula, nariz, e boca (fissuras labiais e fenda palatina) trazem algumas dificuldades para o bebê sugar o seio materno. Bebês com essas anomalias tendem a ter dificuldade de ganho ponderal, por terem dificuldade em extrair leite das mamas e pelo maior consumo calórico exigido no esforço das mamadas.

O risco de aspiração e engasgo por refluxo de leite existe tanto nas mamadas ao seio como na alimentação por mamadeira. Todas as dificuldades citadas são passíveis de manejo adequado e preventivo, devendo-se sempre destacar as propriedades e vantagens da mamada ao seio: a mama, mais flexível que os bicos artificiais, favorece a vedação da fenda; há estímulo positivo para o desenvolvimento dos músculos da face, boca e língua; a pressão na tuba auditiva durante a deglutição é menor em relação ao aleitamento artificial. Esse conjunto favorece o desenvolvimento e melhora o prognóstico e resultado após correção definitiva.

Fissura labial única e fenda palatina de grande extensão

Os portadores de fissura labial única terão pouca dificuldade em abocanhar o seio e sustentar a pega e a sucção. No caso de fenda de grande extensão, a mãe deve ser orientada a introduzir a mama pelo lado da fissura, apontando o mamilo para o lado contrário, sendo que a posição invertida do bebê no colo da mãe pode facilitar a mamada. Casos em que existe fenda labial bilateral ou com comprometimento da arcada, a posição “cavaleiro” e a utilização do polegar da mãe vedando a fenda poderão facilitar a mamada.

Posição cavaleiro

Fenda palatina isolada 

Nos casos de fissuras palatais isoladas, sem o comprometimento labial, a posição ortostática do bebê (posição “cavaleiro”), direcionarão o leite para o esôfago, evitando o refluxo pelas narinas. Há ainda a possibilidade de amamentar esses bebês deitados em decúbito dorsal, com a cabeceira elevada, e a mãe inclinar o seio sobre a boca da criança, facilitando a penetração do seio na cavidade oral e melhorando o vedamento.

A criança não pode ser levada ao seio faminta, nem a mãe deve tentar utilizar uma estratégia que não tenha sido bem sucedida para o seu bebê. Oferecer o leite materno ordenhado por via oral pode ser útil para acalmar o bebê antes de tentar o seio.

Desenvolvimento orofacial

É importante reforçar para a família que bebês com fissuras de lábio e/ou palato que são amamentados, apresentam melhor desenvolvimento orofacial, melhor coordenação da língua, menos episódios de otite média e melhor ganho ponderal. Entretanto, os limites de cada situação devem ser considerados, e nos casos em que não se consegue a amamentação ao seio, o uso de leite materno ordenhado, oferecido por copo, colher, seringa ou sonda gástrica deve ser recomendado e estimulado.

fenda palatina

Modelador nasal 

Você já ouviu falar em modulador nasal? É um novo aparelho de custo barato, criado no Chile, o qual é capaz de remodelar a cartilagem do nariz e reconstruir o lábio da criança. O modulador é feito com fio ortodôntico, fita de veda rosca, elástico, e é fixado na pele da criança com fita micropore. Para que o músculo da boca seja sustentado, é utilizado uma fitinha elástica. O custo deste aparelho é aproximadamente R$2,00.

O tratamento para dar certo precisa ser iniciado nos primeiros dias de vida. Após o nascimento da criança, de sete a dez dias de vida, ela ainda tem em seu organismo hormônios da mãe circulando, e isso permite o remodelamento da cartilagem do nariz. Então, o nariz do bebê fissurado que nasce caidinho, se molda em uma posição normal quando se é usado esse aparelho.

A fissura entre o nariz e os lábios pode ser de um lado apenas ou dos dois, e em casos mais graves chegar ao céu da boca (palato). A má formação não prejudica apenas a “estética” da criança, isso é o de menos, ela compromete a respiração, a alimentação e a fala. A fitinha elástica ajuda a neutralizar a força, o músculo tá aberto e ela puxa, neutralizando a força, o ganchinho no nariz consegue funcionar melhor. Com esse tratamento, a criança precisará fazer apenas uma cirurgia aos seis meses de vida.

Modelador nasal

modulador nasal

Reconstrução do lábio e do palato com o modelador nasal

modulador nasal e reconstrução

(Imagem retirada do programa Bem Estar – Rede Globlo)

 

Referência Bibliográfica:

  • GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno/ Carlos González; [tradução Maria Bernardes]. São Paulo. Editora Timo, 2014. 240 p. 
  • REGO, José Dias. Aleitamento Materno – “Aleitamento Materno em Situações Especiais da Criança”. 3ª edição. São Paulo. Editora Atheneu, 2015.

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