Fisiologia da lactação: como o leite é produzido

A fisiologia da lactação aborda como o leite materno é produzido, especificando todas as etapas de como este evento acontece através das ações hormonais, evidenciando o controle da produção endócrino e autócrino.

A mama, para cumprir sua função prioritária, passa por transformações durante a gravidez e após o parto, a fim de se tornar capaz de sintetizar, armazenar e liberar os constituintes do leite.

No período da gravidez, a glândula mamária sofre modificações resultantes da interação da progesterona, estrogênios, lactogênio placentário, gonadotrofinas, corticoides placentários, hormônios tireoidianos, hormônio da paratireoide, insulina, corticoides suprarrenais e, possivelmente, do hormônio de crescimento hipofisário, sendo que a prolactina e o lactogênio placentário são os mais importantes na regulação da mamogênese.

No início da gestação, o tecido mamário sofre modificações que consistem na proliferação de ductos e ácinos e formação de novos alvéolos. Entre a quinta e a oitava semanas, ocorre a dilatação das veias superficiais e aumento da pigmentação da aréola e mamilo. No fim do primeiro trimestre, há um grande aumento do fluxo sanguíneo por dilatação dos vasos e pelo aparecimento de novos capilares.

Secreção do leite

As células epiteliais dos alvéolos sintetizam alguns componentes do leite e retiram outros do plasma sanguíneo. Cada célula alveolar é capaz de produzir leite com todos os seus constituintes.

A síntese dos constituintes do leite se faz através dos mecanismos que se seguem:

Difusão: passagem de água e íons monovalentes (Na, K e Cl) através da membrana celular até o interior do alvéolo;

Exocitose: a membrana celular se funde com a membrana da proteína e se abre, deixando a proteína livre;

Secreção apócrina: mecanismo de secreção dos lipídeos;

Pinocitose: transporte de imunoglobulinas pelas células alveolares através de um receptor transcelular;

Via paracelular: as células encontradas no leite são secretadas através de solução de continuidade entre as células alveolares.

Fisiologia da lactação: mamogênese, lactogênese, lactoejeção e galactopoese

fisiologia da lactação

 

Mamogênese

O processo de crescimento das glândulas mamárias acontece desde a puberdade e se estende até o climatério, visto que ocorrem alterações hormonais típicas nas diferentes fases da vida, inclusive na gestação onde seu crescimento é ainda mais acelerado.

Os hormônios estereoides sexuais ovarianos, durante a menarca, exercem efeitos proliferativos nos canais mamários, enquanto a progesterona em conjunto produz o crescimento e a expansão dos ácinos, que se tratam das menores partes das glândula e são responsáveis pela produção do leite durante a lactação.

Além desses, são necessários outros hormônios para a diferenciação completa do tecido funcional mamário, tais como prolactina, hormônio do crescimento, cortisol, tireoxina e insulina, os quais constituem o complexo lactogênico. Estes agem juntos a fim de estimular o desenvolvimento e o crescimento do aparelho lácteossecretor das glândulas mamárias. São eles os agentes que tornam possível o crescimento do estroma, que serve para sustentar as células funcionais das mamas.

A produção de leite se faz numa sequência de eventos governada por ação hormonal, didaticamente assim apresentada:

  • Lactogênese I;
  • Lactogênese II;
  • Galactopoese.

A lactogênese I se dá no último trimestre, a partir da 20ª semana da gravidez, quando a mama está pronta para produzir leite (pré-colostro), mas o faz em pequena quantidade, porque a presença da placenta inibe a prolactina, hormônio responsável pela produção do leite, devido às altas concentrações de esteroides sexuais, especialmente progesterona.

Portanto, o controle da produção inicial do leite é endócrino, isto é, depende da presença de hormônios. Por este motivo, após o parto, na fase inicial da lactação acontece a produção do leite mesmo sem a sucção da mama.

Lactogênese II

Após o parto, com a saída da placenta, cai o nível sanguíneo de progesterona, e ocorre uma rápida elevação na concentração de prolactina no sangue. Este pico de prolactina induz o começo da síntese do leite (colostro). Entre 24 e 48 horas, a mama se apresenta intumescida por causa da grande migração de água, atraída pela força hiperosmolar da lactose, com dilatação de ductos e alvéolos. Esse fenômeno é conhecido como apojadura. Logo depois acontece a descida do leite, fenômeno que marca o início da lactogênese II.

A partir de então, a regulação passa a ser feita no próprio local da produção do leite, ou seja, o controle passa a ser autócrino. O volume de leite passa a depender da demanda da criança e do esvaziamento da mama, e é diretamente proporcional ao número de mamadas. Quanto maior a frequência em um dado intervalo de tempo, maior será o aumento do volume de leite produzido.

A sucção do bebê no peito estimula as terminações nervosas do mamilo e aréola, enviando impulsos via neural reflexa aferente para o hipotálamo, estimulando a hipófise anterior a secretar o hormônio prolactina e a hipófise posterior, o hormônio ocitocina. A prolactina é transportada até os alvéolos e estimula essas células secretoras a produzir leite, reflexo materno de produção de leite.

No hipotálamo, encontram-se fatores estimulantes e inibidores da produção de prolactina. A ação inibidora é mediada pelo PIF (Prolactin Inhibiting Factor) que é a dopamina que atua sobre as células lactotróficas da hipófise anterior, inibindo a produção de prolactina.

Os fatores estimulantes hipotalâmicos de prolactina são o TRH (Thyrotropin Releasing Hormone), o VIP (Vasoactive Intestinal Peptide) e a agiotensina II.

A liberação da prolactina ocorre como consequência da inibição da secreção de dopamina, quando as terminações nervosas livres que, juntamente com os corpúsculos táteis localizados na derme, são responsáveis pelo aumento da sensibilidade dessa região depois do parto. O estímulo originado na região mamilo-areolar percorre as fibras nervosas, alcança a medula espinhal e se conecta com o hipotálamo.

Acontece, então, a inibição da secreção de dopamina e a consequente liberação de prolactina que, por via sanguínea, atinge as células do alvéolo mamário, estimulando a secreção do leite.

Aproximadamente 30 minutos depois do início da mamada, há um pico de elevação da prolactina basal. Isso faz com que a mama produza o leite para a próxima mamada. Quando a criança mama, ela está tomando o leite que foi produzido depois da mamada anterior. Essa elevação da prolactina basal pode se manter por 3 a 4 horas; a amamentação frequente mantém esses níveis de prolactina elevados, isto é, sobre uma linha basal. Com a diminuição da frequência de mamadas ocorre, consequentemente, diminuição da quantidade de prolactina.

A prolactina é produzida mais à noite. A sua produção dá à mãe uma sensação de relaxamento e, algumas vezes, até sonolência. Mãe que tem um parto cesariano possui menor nível de prolactina que aquela cujo parto é por via vaginal.

A ocitocina é transportada até os alvéolos, onde estimula as células mioepiteliais, localizadas ao seu redor. Estas células, ao se contraírem, promovem a expulsão do leite, reflexo materno da descida do leite.

Lactoejeção

O processo de “saída do leite” é conhecido como lactoejeção. É a ocitocina a responsável pela contração das células mioepiteliais que envolvem os alvéolos (e pela contração uterina), proporcionando a liberação ou ejeção do leite (a involução do útero após o parto).

Galactopoese (lactogênese III)

É a manutenção da secreção de leite estabelecida e também denominada lactogênese III. Um eixo hipotalâmico-pituitário intacto para regular os níveis de prolactina e ocitocina é essencial para manter a lactação. O processo de lactação requer a síntese de leite e a liberação do leite para os alvéolos e seios lactíferos. Quando o leite não é removido, afetando a diminuição do fluxo sanguíneo capilar, o processo de lactação pode ser inibido. Falta de estímulo de sucção significa falta de liberação de prolactina pela glândula pituitária.

Sugestão de vídeo: 

 

(Obs: Se o seu vídeo não está traduzido, clique na janela ao lado da ferramenta de configurações no próprio vídeo, a qual se chama “legendas ocultas”, e ative a tradução para português).

 

Referência Bibliográfica: 

  • REGO, José Dias. Aleitamento Materno – “Anatomia da mama e fisiologia da lactação”. 3ª edição. São Paulo. Editora Atheneu, 2015.
  • Isa Crivellaro. Curso avançado em amamentação – CONALCO. Blog: Tetê nosso de cada dia. 2016. 
  • VÍDEO: Canal no Youtube – Nucleus Medical Media. 

♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡ ℓεiค τคмвεм ♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡

Faça seu comentário!

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios devem ser marcados *

Comment *