Galactogogos: aumentar a produção de leite com medicamentos ou ervas

Existem medicamentos que podem alterar o volume do leite materno, no sentido de aumentar ou diminuir sua produção. Fármacos com efeito potencial de aumentar o volume de leite pela nutriz são chamados galactogogos. Não há evidências de que esses agentes estimulem a produção de leite em mulheres com níveis elevados de prolactina ou com tecido mamário inadequado à lactação.

Produção de leite reduzida

Assim, esses medicamentos, antagonistas do paminérgicos, parecem não aumentar a oferta de leite, se as mães recebem um apoio adequado à lactação e empregam essas práticas.  O uso de galactogogos deve ser restringido às mães com uma causa não tratável de produção de leite reduzida. Uma das indicações mais frequentes é com a diminuição da produção de leite em mães de prematuros.

Indicações frequentes: mães de prematuros

A maior parte desses estudos são feitos com mães de prematuros, nas quais a produção de leite costuma diminuir depois de usar uma bomba de extração de leite durante semanas, o que não estimula tão bem quanto um bebê. Hoje em dia o problema costuma ser selecionado graças ao método canguru, mas é possível que alguns casos ainda precisem de medicamentos.

Galactogogos: ervas ou medicamentos

Foram propostos diversos medicamentos para aumentar a produção de leite, tanto tradicionais como modernos. Não há estudos que provem a eficácia de certas ervas (fenacho, cominho…) ou de determinados alimentos. Não nos surpreenderia que alguma erva tenha um efeito real.

Já houve casos publicados de intoxicação em bebês (hipotonia, vômitos e letargia, com necessidade de hospitalização) quando suas mães consumiam mais de dois litros diários de uma mistura de ervas para aumentar a quantidade de leite (alcaçuz, erva-doce, anis e Galega officinalis).

Sucção areolomamilar é o mais importante

De fato, há estudos que provam a eficácia da cerveja e outras medicações. Tais medicações atuam estimulando a secreção de prolactina, que é exatamente o que o bebê faz quando mama. Para que usar um remédio, com possíveis efeitos colaterais, quando o mesmo efeito pode ser obtido com a amamentação frequente em posição correta?

Por isso, é importante ressaltar que os estímulos mais valiosos para a lactogênese são a sucção do complexo areolomamilar pelo bebê e a ordenha das mamas. Como já mencionado anteriormente, não há evidência científica robusta de que ervas ou alimentos estimulem a produção láctea.

Supressão da produção láctea

É provável que existam outras indicações legítimas para o uso de galactogogos, mas não sabemos quais são elas. Obviamente eles só deveriam ser usados depois de ser demonstrado com exames um déficit de prolactina, que não responde ao estímulo da sucção (será que então ela responderá aos medicamentos?).

Vários são os medicamentos com relato de supressão da produção láctea. A maioria deles age como antagonistas dopaminérgicos, suprimindo a liberação de prolactina. Devido ao crescimento do bebê estar diretamente relacionado à produção e ingestão do leite materno, o uso de qualquer um desses fármacos pode representar risco potencial de déficit  ponderal, principalmente durante o puerpério imediato, época mais sensível  para a supressão da lactação.

No hipotireoidismo e na agenesia do tecido mamário eles seriam inúteis. No déficit primário de prolactina eles foram testados sem sucesso.

TABELA: Fármacos que podem alterar o volume de leite materno

 

Efeito sobre o volume de leite

 

Fármacos
Aumento Domperidona, metoclopramida, sulpiride, clorpromazina, hormônio de crescimento, hormônio secretor de tireotropina, fenogreco.

 

ReduçãoEstrógenos, bromocriptina, cabergolide, ergotamina, ergometrina, lisurida, levodopa, pseudoefedrina, álcool, nicotina, bupropiona, diuréticos, testosterona.
**Tabela apenas para fins informativos. Não substitui qualquer consulta médica e avaliação profissional. 

 

Referência Bibliográfica:

  • REGO, José Dias. Aleitamento Materno – “Uso de Medicamentos, Drogas e Cosméticos durante a amamentação”. 3ª edição. São Paulo. Editora Atheneu, 2015.
  • GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno/ Carlos González; [tradução Maria Bernardes]. São Paulo. Editora Timo, 2014. 240 p. 

Faça seu comentário!

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios devem ser marcados *

Comment *