Hipogalactia: causas reais da baixa produção de leite

Causas reais de hipogalactia

 

Hipotireoidismo 

Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo são relativamente frequentes na gravidez e pós-parto, e por isso deve-se sempre considerar essa possibilidade quando se suspeita de hipogalactia verdadeira.

Em geral, o hipotireoidismo não tratado impede a gestação. Entretanto, algumas mães com hipotireoidismo leve não diagnosticado dão à luz e têm problemas para amamentar. A presença de hormônios tireoidianos é um pré-requisito para a produção de leite. O tratamento hormonal substitutivo permite manter a amamentação.

Retenção de placenta

Os estrogênios e progestagênios produzidos pela placenta inibem a lactogênese, de modo que uma retenção parcial de placenta pode ter a hipogalactia como primeiro sintoma. Curiosamente, também foi observado o efeito contrário: galactorreia (fluxo excessivo de leite) por retenção da placenta.

Agenesia do tecido mamário 

É sumamente rara. As mamas podem ser hipoplásicas, sendo que os níveis de prolactina são normais e a produção de leite é muito baixa, apesar de todos os esforços.

Cirurgia

Quase sempre é possível amamentar depois de uma cirurgia de redução mamária, se a intervenção conservou a conexão entre o tecido mamário e o mamilo através de uma técnica de transposição. Se alguns ductos foram cortados, com a técnica de transplante do mamilo, a amamentação é muito difícil, quase impossível (ainda que ás vezes se produzam recanalizações espontâneas). A maioria das mães, apesar das dificuldades e até do fracasso, consideram que vale a pena tentar.

Os implantes mamários não costumam ser um obstáculo para a amamentação, pois a intervenção não afeta o sistema glandular e de ductos. As próteses de silicone não contraindicam a amamentação nem representam nenhum perigo para o lactente.

Depois da cirurgia conservadora e da radioterapia de um câncer de mama, a amamentação é possível no peito sadio, e ás vezes também no seio afetado.

Síndrome de Sheehan

É a necrose da hipófise por falta de perfusão durante o parto, devido à perda de sangue. A ausência de prolactina e de ocitocina impede o início da produção láctea. A síndrome completa é muito rara, mas a hemorragia pós-parto foi associada também a uma diminuição isolada da produção de leite (perda de peso e desidratação da mãe), às vezes transitória, sem afetar outros hormônios hipofisários.

É possível que a perda de sangue explique a associação observada entre a anemia materna e o abandono precoce da amamentação (atribuído à falta de leite, ou ao fato de o bebê mamar com frequência excessiva ou ganhar pouco peso).

Contraceptivos orais

Acredita-se que os que contêm estrogênios podem diminuir a secreção de leite, pelo que habitualmente recomenda-se usá-los até os seis meses de amamentação.

Déficit congênito de prolactina 

É hereditário e sumamente raro, foram descritos meia dúzia de casos em todo o mundo. O nível de prolactina é muito baixo ou indetectável e não aumenta através da estimulação com metoclopramida ou clorpromazina.

Desnutrição

A falta de alimento ou bebida por parte da mãe NÃO é causa de hipogalactia. Só a desnutrição grave chega a afetar a quantidade ou qualidade do leite. Foi demonstrado que até uma dieta hipocalórica não afeta a produção e composição do leite nem o ganho do bebê.

Hipogalactia

Referência Bibliográfica:

  • GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno/ Carlos González; [tradução Maria Bernardes]. São Paulo. Editora Timo, 2014. 240 p. 

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