Icterícia em recém-nascidos pode estar relacionada com o leite materno

A icterícia em recém-nascidos, popularmente conhecida como amarelão, é geralmente atribuída a imaturidade do fígado, a um período de adaptação do metabolismo da bilirrubina resultante do catabolismo da hemácia, conhecida como icterícia fisiológica, embora mecanismos patológicos possam estar envolvidos.

Em bebês amamentados ao seio, a icterícia é mais frequente que naqueles alimentados com fórmula. São descritas duas formas de icterícia relacionada à alimentação com leite humano: a de fase precoce e a de início tardio.

Icterícia precoce

A precoce ocorre na primeira semana de vida, sendo considerada uma icterícia fisiológica com níveis aumentados de bilirrubina devido à baixa ingesta de leite materno, o que leva ao aumento da reabsorção êntero-hepática da bilirrubina não excretada em decorrência de lentificação do trânsito intestinal. Nos primeiros dias de vida, bebês apresentam dificuldades na amamentação, em especial aqueles com idade gestacional de 34 a 37 semanas que tem 2,2 vezes maior chance de reinternarem por icterícia. São bebês que dormem a maior parte do tempo e não solicitam o seio.

Prevenção de hiperbilirrubinemia 

A amamentação, bem conduzida, pode prevenir essa hiperbilirrubinemia:

  • Amamentar mais frequentemente cerca de 10 vezes ao dia, atentando para a técnica de posição, pega e extração e ingesta de leite nas mamadas;
  • Utilizar o colostro, que tem efeito laxativo, para acelerar a eliminação do mecônio;
  • Não pular mamadas e complementar com leite da mãe ordenhado, por copinho, quando o bebê não conseguir extrair volume suficiente para sua nutrição.

Icterícia tardia

A tardia ocorre após a primeira semana de vida, com pico máximo de bilirrubina entre o 10º e o 15º dia de vida, retornando a níveis normais na terceira ou quarta semanas de vida. Em alguns casos pode permanecer até 2 ou 3 meses de vida. A etiologia dessa icterícia relacionada ao leite materno não está totalmente esclarecida, sendo um diagnóstico de exclusão. No período de tratamento, a amamentação ao seio pode ser suspensa por 24 horas, e a mãe deve ordenhar as mamas para manter sua produção e para alívio do desconforto de ingurgitamento, e o bebê deve receber leite humano de banco por copinho. Após esse período a mãe deve voltar a amamentar ao seio, e deve ser orientada que os níveis de bilirrubina voltarão a aumentar e que seu bebê ficará ictérico por mais tempo.

Fototerapia: o que é? 

A fototerapia consiste em uma luz que adentra a camada da pele (epiderme) alcançando o tecido subcutâneo, e tem a capacidade de transformar a bilirrubina em produtos mais hidrossolúveis para que possam ser excretados pelos rins ou pelo fígado. Apenas a bilirrubina que está associada ao nível da pele (superfície) será atingida pela luz.

Bebês submetidos a fototerapia poderão ficar mais sonolentos e mamar menos ao seio. Nesses casos, a mãe deve fazer a extração de seu leite por ordenha e oferecê-lo ao bebê por copinho. A maior ingesta de leite humano aumenta o trânsito intestinal, auxiliando na excreção da bilirrubina conjugada, e fornece maior oferta calórica necessária para a conjugação da bilirrubina no fígado.

A mãe pode julgar o seu leite prejudicial ao bebê

A rotina de alguns serviços no manejo do bebê com icterícia fisiológica exacerbada representa, muitas vezes, um obstáculo à amamentação, uma vez que esses bebês internados para tratamento com fototerapia são separados de suas mães e recebem suplementação alimentar com fórmulas lácteas. As mamadas ao seio tornam-se mais espaçadas e a produção de leite da mãe pode ser comprometida, além da suspensão temporária do aleitamento materno induzir a mãe a julgar seu leite prejudicial ao bebê.

Informação é tudo!

Mas, mamães, como eu sempre digo “informação é tudo”, e saiba que o seu leite não é prejudicial, muito pelo contrário, é o melhor alimento que você pode fornecer ao seu filho. Além do leite materno fortalecer a imunidade, saciar a fome do pequeno e nutri-lo, fortalece o vínculo afetivo entre vocês e isso não tem preço!

Icterícia

Fonte: REGO, José Dias. Aleitamento Materno – “Aleitamento Materno em Situações Especiais da Criança”. 3ª edição. São Paulo. Editora Atheneu, 2015.

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