Lactação insuficiente: falta ou baixa produção de leite materno

Não tenho leite ou “o bebê fica com fome” estão entre as queixas mais frequentes das mães. Diante de tais afirmações, a negação absoluta da lactação (“como não tem leite? É claro que você tem!”) é tão inadequada quanto a aceitação infundada (“Então dá uma mamadeira!” ou “Faz tal coisa pra você ter mais leite”).

Lactação: preocupações de uma mãe

Se perguntarmos “Por que você acredita que não tem leite?” mostramos interesse e respeito pelas suas preocupações sem aceitar o “diagnóstico” a princípio. As respostas podem ser muito variadas:

  • “Ele não aguenta as três horas” (fica com fome) ou dorme demais (está fraco por falta de alimento).
  • “Ele nasceu com pouco peso (é “quase prematuro”, precisa de mamadeira) ou é pesado demais (um bebê tão grande não aguentará ficar só no peito).
  • Ele passa muito tempo mamando (claro, como não sai nada…) ou pouco tempo demais (claro, como não sai nada…)
  • O leite é aguado (o leite que a mãe vê é o que sai no início, pobre em gorduras).
  • O bebê chora (de fome) ou não chora (porque já sabe que não tem leite).
  • Com o primeiro filho “também não teve leite”.
  • Antecedentes familiares negativos (“Minha mãe teve três filhos e não amamentou os seus sete filhos por três anos. Quem dera que hoje em dia as mulheres tivessem leite como as de antes”).
  • O bebê engorda pouco ou engorda demais (é um bebê robusto, precisa de mais comida!).
  • O peito está vazio (não tenho leite) ou está cheio (ele ão quer mamar, meu leite não é bom!).
  • O peito não pinga ou a mãe não nota a descida.
  • A mãe tem seios pequenos.

Na verdade, quase qualquer motivo é suficiente para que a mãe pense que tem pouco leite, já que o problema real é a insegurança. As mães de hoje em dia foram levadas a acreditar que o normal é não ter leite e que somente algumas poucas sortudas podem amamentar.

Avaliação da ingestão de leite

As preocupações da mãe devem ser escutadas e respeitadas, mas não representam um diagnóstico. O profissional é quem deve decidir se o bebê está mamando leite o suficiente (e a mãe só precisa de compreensão e apoio) ou se ele realmente bebe pouco leite (e então devemos procurar os motivos e propor soluções. Para isso devemos seguir vários parâmetros, os mesmos que mencionamos ao falar dos primeiros dias de lactação: as fezes, a urina, o estado geral e o peso.

Fezes

Durante o primeiro mês as fezes costumam ser muito frequentes, praticamente depois de cada mamada. Alguns bebês evacuam mais de 20 vezes por dia e por volta dos 2 ou 4 meses as fezes ficam mais escassas. Quase todos os bebês com lactação exclusiva evacuam uma vez a cada 2 ou 4 dias e alguns a cada 8 a 10 dias, ou até mais. Alguns bebês saudáveis já passaram 30 dias sem evacuar.

Quando finalmente saem as fezes, elas têm uma consistência normal, semi-líquida ou pastosa. Portanto, não é prisão de ventre e não é necessário fazer absolutamente nada (sucos, chás, ervas, supositórios…). A prisão de ventre não é definida pela frequência de evacuações, mas pela consistência das fezes: um bebê só tem prisão de ventre se faz bolas duras e secas.

fezes

Urina

A ausência de micções indica que o bebê está tomando muito pouco leite e a situação requer intervenção médica imediata e supervisão contínua. Um bebê que é alimentado com aleitamento materno exclusivo (ou seja, sem água) e urina muito pouco, provavelmente não está tomando suficiente quantidade de leite. Porém, pode ser que um bebê tome uma quantidade de leite um pouco inferior à desejável e continue urinando com abundância.

Um bebê que não engorda ou perde peso tem um problema, mesmo que urine muito. Um bebê sadio, feliz e de peso normal está bem, mesmo que urine pouco. Não acreditamos que seja conveniente recomendar às mães que controlem a diurese dos filhos. Nos primeiros dois dias, é normal o bebê urinar pouco, porque é normal o bebê ingerir pouco leite.

Estado geral

A variação individual no peso é muito grande. O peso não proporciona um diagnóstico confiável para avaliar problemas nutricionais. O estado geral (tônus, atividade, alegria, hidratação, textura da pele…) ajuda a diferenciar entre dois bebês com o mesmo peso.

Lactação

Referência Bibliográfica:
  • GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno/ Carlos González; [tradução Maria Bernardes]. São Paulo. Editora Timo, 2014. 240 p. 

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