O bebê fica com fome e choroso se não mamar o leite rico em gordura

A concentração de lipídios no leite aumenta progressivamente ao longo da mamada, e o leite do final pode ter cinco vezes mais lipídios que o do início, o qual é considerado o leite rico em gordura. Muitas mulheres acreditam que têm o leite “aguado” porque só viram o leite inicial, que pinga espontaneamente do peito. Na verdade,  o leite materno tem mais gordura que o leite de vaca integral. A concentração final de lipídios aumenta quanto mais leite a criança tiver tomado na mesma mamada.

 

O leite rico em gordura (leite posterior)

Quando o bebê acaba de mamar, o leite rico em gordura é o que sobra no peito. Se ele volta a mamar em poucos minutos não encontrará o leite inicial, mas diretamente o leite final. Entretanto, à medida que o tempo passa, o leite final que sobra no peito é diluído pelo novo leite inicial que vai sendo fabricado.

A concentração média de lipídios em uma determinada mamada (ou seja, a quantidade de lipídios que o bebê obtém) é diretamente proporcional à quantidade de leite extraída desse peito na mamada anterior e à quantidade de leite extraída na mamada atual, e é inversamente proporcional ao tempo transcorrido entre as mamadas.  A duração da mamada por outro lado, não está relacionada estatisticamente com a concentração de lipídios no leite, porque ela também não está relacionada com a quantidade de leite ingerida. O volume de leite ingerido por unidade de tempo varia muito de um bebê a outro, de uma mamada a outra e ao longo de uma mesma mamada.

Além disso, se o bebê mama nos peitos peitos, dificilmente chegará ao leite final do segundo, e assim será tomado duas “porções” de leite inicial e só uma de leite final, e a concentração média de lipídios no total de leite ingerido será menor.

 

O bebê e a regulação da composição do leite

Concluindo, o bebê pode regular à vontade a composição do leite modificando três fatores: o tempo entre duas mamadas, a quantidade de leite ingerida em cada mamada, e se mama de um só peito ou dos dois. Não se sabe se o bebê é capaz de regular também outros aspectos da composição do leite. Se a ingestão calórica é fixa, os que decidirem mamar menos gordura terão, por outro lado, mais proteína e lactose. Em algumas mulheres a concentração de proteínas é muito diferente de um peito para outro, o que poderia estar relacionado com a preferência que alguns bebês desenvolvem por um dos peitos.

 

Deixe o seu bebê mamar pelo tempo que quiser

Quando o bebê é arbitrariamente retirado do peito antes de ter terminado (por exemplo, aos 10 minutos) e não chega ao leite rico em gordura, oferece-se a ele o leite inicial, pobre em calorias, do segundo peito, em vez do leite final, rico em calorias, do primeiro peito. Em alguns casos, o volume de leite inicial necessário para substituir o leite final perdido supera a capacidade gástrica do bebê. Ele fica com fome, mas simplesmente não aguenta mais leite. Isso faz com que fique insatisfeito e choroso, pedindo o peito o tempo inteiro.

Ao mamar menos gorduras, ele ingere mais proteínas e mais lactose o que pode gerar uma intolerância parcial à lactose por sobrecarga. A lactose não digerida fermenta no tubo digestivo produzindo gases, cólicas e fezes ácidas e muito líquidas (diarreia osmótica). O ideal é sempre deixar o bebê mamar no primeiro peito pelo tempo que quiser antes de oferecer o segundo.

 

Regras para amamentar, não! 

A maioria dos bebês (mas não são todos), diante da fixação arbitrária da duração da mamada, ainda são capazes de obter leite com a composição desejada modificando outros fatores. Infelizmente ao longo do século passado, virou moda limitar simultaneamente os três mecanismos de controle do bebê (um ou dois peitos, frequência e duração das mamadas), com regras do tipo “dez minutos de cada peito a cada quatro horas”. Isso suprime qualquer possibilidade e regulação, o leite obtido pode ter uma composição muito diferente da desejada. Apenas algumas mães conseguiam dar o peito mais de algumas semanas seguindo essas regras, quando por pura coincidência a quantidade e a composição do leite obtido eram parecidas com o que seus filhos necessitavam.

leite rico em gordura

Referência Bibliográfica:

GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno/ Carlos González; [tradução Maria Bernardes]. São Paulo. Editora Timo, 2014. 240 p. 

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