Não faz sentido pesar os bebês toda semana

O peso aumenta depois de mamar e diminui ao urinar e defecar. Em um período curto, as variações acidentais de peso e os erros de medida são tão grandes em relação ao aumento esperado que é impossível avaliar o resultado. Por isso, não faz sentido pesar os bebês toda semana.

Controle de peso dos bebês

Com exceção dos casos concretos que requerem um controle exaustivo (como os primeiros dias, até que o bebê recupere o peso de nascimento, ou em caso de doença), é inútil (e leva a erros graves) pesar o bebê mais de uma vez por mês (ou uma vez a cada 2 meses no segundo semestre).

Entretanto, a prática de pesar os bebês toda semana está muito difundida. Muitas mães pesam o filho na farmácia e algumas até alugam uma balança para bebês. Muitos profissionais oferecem à mãe a possibilidade de pesar seu filho toda semana no centro de saúde, esperando que assim pelo menos o peso esteja acompanhado de uma interpretação correta e uma orientação adequada.

Pesar os bebês regularmente é o ideal?

Pesar os bebês serve para alguma coisa? Será que os bebês que são pesados regularmente pesam mais, são mais saudáveis, são internados nos hospitais com menor frequência que os que não são pesados? Curiosamente, praticamente não existem estudos sobre a eficácia clínica de uma prática médica tão difundida.

Como podemos causar danos pesando um bebê?

Aqui a causa de danos não é somente física, mas também emocional, criando angústia familiar sem motivo, exames diagnósticos desnecessários, abandono da amamentação, introdução precoce de alimentos complementares, administração desnecessária de vitaminas e xarope “para abrir o apetite” … O controle de peso exige profissionalismo e prudência.

Deve-se definir claramente o propósito de tais pesagens, critérios claros de atuação e um curso de ação adequado se queremos evitar o perigo de causar mais danos do que benefícios.

Prescrevendo fórmulas sem necessidade

O fato de pesar o bebê toda semana e obter resultados aos olhos do pediatra não tão satisfatórios, na maioria das vezes está vinculado posteriormente à essas pesagens o abandono da amamentação, promovendo o início da oferta de leite artificial (fórmulas).

Alguns profissionais não pensam duas vezes antes de prescrever uma receita para que a mãe saia do seu consultório e já passe na farmácia para comprar uma lata de leite e inicie a complementação. Contudo, isso não é o certo. O leite artificial, o complemento, pode ser necessário, mas antes que ele seja imposto para o bebê, é preciso que este mesmo profissional avalie a real necessidade da criança em ingerir leite artificial.

Apoio e informação são fundamentais

O ideal é que antes de sugerir a inserção da fórmula como fonte de alimentação do bebê, o pediatra auxilie mãe e bebê durante a amamentação e observe se a pega, a posição e a mamada do bebê está sendo efetiva e se ele realmente está conseguindo extrair o leite da sua mãe. O que a criança precisa não é de suplemento logo de início, como se fosse algo automático, mas sim de muito apoio não apenas dos profissionais, mas também do seu companheiro de vida e da família.

Quando as mães são incentivadas a amamentar desde o hospital, ouvindo sobre os benefícios do leite materno, sendo ensinadas a como posicionar o bebê, como estimulá-lo para que realize uma boa pega, e a observar os sinais que o seu filho dá quando está conseguindo extrair o leite e consequentemente saciando as suas necessidades nutricionais, saem da maternidade muito mais confiantes e as chances de manterem o aleitamento exclusivo até os seis meses de vida da criança são muito maiores.

pesar os bebês

* AME – Aleitamento Materno Exclusivo

Sugestão de vídeo:

 

Referência Bibliográfica: 
  • GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno/ Carlos González; [tradução Maria Bernardes]. São Paulo. Editora Timo, 2014. 240 p. 
  • VÍDEO: Canal no Youtube – Dra Luciana Herrero. Autora: Luciana Herrerro, Consultora Internacional em Amamentação e Pediatra. 

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