Peso do bebê: avaliação do desenvolvimento do lactente

As curvas de peso não são retas

O peso do bebê é avaliado por curvas e não retas. Se fosse assim os lactentes engordariam o mesmo tanto todos os meses. Justamente porque isso não acontece, porque costumam engordar a cada mês menos que no anterior, são curvas.

O mesmo bebê que durante os dois primeiros ou três primeiros meses engordou, 500, 1.000 ou até 1.500 g por mês, pode engordar apenas 200 g nos 4 meses ou não engordar nada entre os 9 e 12 meses.

Às vezes parece que os bebês que mais engordaram no princípio são os que menos engordam nos seguintes meses, como se tivessem alcançado rapidamente seu peso “ideal” e tivessem parado.

A metade dos bebês está abaixo da média

E 3% está abaixo do percentil 3. Temos que abandonar de uma vez por todas o hábito pernicioso de chamar bebês com o peso absolutamente normal de “no limite do peso”. Devemos lembrar também que os gráficos de peso não são trajetórias, e que muitas crianças (a maioria durante o primeiro ano) cruzam uma ou duas linhas, tanto de peso como de tamanho (e ás vezes em direções opostas).

Os gráficos de peso do bebê são referências e não regras

Ou seja, permitem saber a relação que o peso de um bebê tem com outras crianças da mesma idade, mas não indicam quanto deveria pesar. Descrevem a normalidade no sentido estatístico do termo (95% da população entre +2 e -2 desvios-padrão), mas não no sentido médico. Os quadros de peso do bebê não permitem distinguir o normal do patológico.

Peso do bebê não é diagnóstico

O peso é um método de triagem, e não de diagnóstico. Quando o peso ou o tamanho de um bebê são inferiores ao estatisticamente normal, ou seja, quando o peso, o tamanho ou ambos estão abaixo do percentil 3, ou ao ganho normal, isso pode ser consequência de várias causas diferentes:

  • O bebê é muito baixo ou muito magro, mas está saudável. Três por cento dos bebês saudáveis estão, por definição, abaixo do percentil 3; Dois e meio por cento estão abaixo do segundo desvio-padrão;
  • Não 3% de todos os bebês, mas 3% daqueles bebês que foram pesados para construir o gráfico, que eram por definição bebês saudáveis e normais;
  • Doença que afeta primariamente o crescimento (déficit de hormônios de crescimento, síndrome de Down…);
  • O bebê está desnutrido, o que pode ser devido a desnutrição secundária a uma doença que interfira com a absorção (diarreia, doença celíaca, fibrose cística) ou o metabolismo (diabete), ou que aumente o gasto de energia (febre) que produza perda de nutrientes (síndrome nefrótica, parasitose…) ou diminua o apetite ou a ingestão (tuberculose, infecção urinária, traqueomalácia, viroses e otites repetidas…);
  • Consumo insuficiente de alimentos (desnutrição primária).

Aleitamento materno exclusivo

Nesse último caso, e se é que o bebê está sendo alimentado com aleitamento materno exclusivo, podemos distinguir entre:

  • Técnica inadequada de amamentação (duração ou frequência insuficiente das mamadas, interferência de chupetas, água ou chás, posição inadequada, supressão das mamadas noturnas…). A maioria dos bebês que engordam pouco com o peito precisam de mais peito, e não de mamadeira.
  • Hipogalactia primária, ou seja, escassez de leite devido a causas maternas e que não produz resposta com as medidas habituais (aumentar a frequência das mamadas, corrigir a posição…). A hipogalactia pode ser tratável, como a do hipotireoidismo, ou intratável (por enquanto), como a agenesia do tecido mamário.

Somente nesse último e altamente improvável caso, hipogalactia primária não tratável, a solução consistiria em iniciar o aleitamento misto.

Desnutrição infantil

A desnutrição infantil por falta de alimentos e não secundária a outra doença é muito rara em nosso país. Quando um bebê pesa menos do normal o mais provável é que ele seja perfeitamente sadio. Se estiver realmente desnutrido, o mais provável é que isso seja uma consequência de uma doença orgânica, e não da falta de alimentos.

Gráficos das Curvas da OMS (0-5 anos de idade) MENINOS – 2006

(Clique nas imagens para ampliá-las)

Peso do bebê

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Gráficos das Curvas da OMS (0-5 anos de idade) MENINAS – 2006

peso do bebê

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Tabela de peso e crescimento do bebê (0-12 meses) 

A tabela de peso e crescimento abaixo, representa a taxa média, até os 12 meses, de desenvolvimento dos bebês do sexo masculino e feminino no Brasil. Contudo, é preciso validar que todas as referências citadas apresentam um valor médio não oficial. Alterações comparadas a essas numerações podem ser normais. A orientação é que consulte um médico pediatra para avaliar minuciosamente a taxa de crescimento do seu pequeno.

peso do bebê

Sugestão de vídeo:

 

Referência Bibliográfica: 
  • GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno/ Carlos González; [tradução Maria Bernardes]. São Paulo. Editora Timo, 2014. 240 p. 
  • VÍDEO: Canal no Youtube – Sintonia de Mãe. Autora: Andressa, Odontopediatra e Especialista em Aleitamento Materno. 

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