Síndrome da posição inadequada

Quando o bebê não está corretamente colocado no peito, ou seja, está com a posição inadequada, (por exemplo, se tem a boca pouco aberta e só abocanha o mamilo), produz-se uma cadeia de sintomas e sinais:

  • Por não poder apertar o peito com a língua, o bebê tenta obter leite fazendo vácuo, um método pouco eficaz, que exige mais força para obter menos leite. As bochechas afundam, como quando tomamos um refresco com um canudinho (normalmente, quando um bebê mama, suas bochechas não afunda, mas projetam-se, como quando mastiga).
  • Por fazer mais força sobre menos superfície, a pressão aumenta, o que produz dor e fissuras no mamilo. Além disso, a língua comprime o mamilo contra o palato duro, ferindo-o.
  • O mamilo pode estar avermelhado pelo desgaste do atrito; sua cor é realçada em relação à aréola.
  • Como a sucção não é eficaz, o bebê mama durante muito tempo, muitas vezes por mais de meia hora, e não solta o peito sozinho, mas a mãe tem que retirar o peito de sua boca. Mais que mamar, está esperando que caia em sua boca o leite que pinga espontaneamente pelo efeito da ocitocina.
  • O bebê engole ar e faz barulho ao mamar.
  • Apesar das mamadas longuíssimas, o bebê não parece satisfeito e em pouco tempo volta a pedir o peito.
  • As mamadas são muito frequentes, alguns bebês mamam quase sem interrupções durante horas.
  • O bebê mama uma grande quantidade de leite do início, pobre em calorias, mas não consegue obter o leite do final, rico em gorduras. O volume total de leite ingerido é superior à sua capacidade gástrica, o que o leva a regurgitar e vomitar com frequência.
  • O peito da mãe reage a essa situação produzindo mais leite no início, e sua hipófise produz mais ocitocina que o normal. É como um mecanismo de segurança, para que o bebê que não mama eficazmente obtenha pelo menos um pouco de leite. Uma maior produção de leite e um esvaziamento insuficiente levam à ingurgitação, e às vezes à mastite.
  • O excesso de ocitocina (não devido a nenhuma anomalia da hipófise, mas por efeito da posição inadequada) faz com que a mãe note uma forte “descida” de leite, às vezes de maneira repetida na mesma mamada.
  • O bebê ingere menos gorduras que o normal, mas mais proteínas e mais lactose. A sobrecarga de lactose. A sobrecarga de lactose pode produzir uma intolerância relativa. As bactérias intestinais atuam sobre a lactose não digerida, produzindo gases e fezes diarreicas e ácidas. (Não confundir os gases que se formam no cólon pela fermentação e que são expulsos pelo ânus com o ar deglutido que é expulso pelo arroto. O bebê que não mama corretamente pode sofrer de ambos os problemas).
  • O bebê tem muitos motivos para estar incômodo: tem fome mas ao mesmo tempo tem o estômago tão cheio que não consegue mamar mais; tem gases no estômago e no cólon; sofre contorções e suas nádegas estão irritadas pela acidez das fezes; às vezes ele engasga pelo jorro de leite que sai disparado na “descida” do leite; sua mãe está esgotada e mal-humorada pela dor e a falta de sono. Não é estranho que o bebê passe o dia choroso e sem tranquilidade, e que às vezes “brigue com o peito”: ele o procura, morde, estica e solta chorando.
  • O aumento de peso é muito variável. Se a mãe tentou seguir os clássicos mandamentos de “dez minutos a cada três (ou quatro) horas”, o bebê engordará muito pouco, ou perderá peso. Mas se ela dá o peito em livre demanda é possível, apesar de tudo, que ele engorde normalmente ou até que engorde demais. Alguns bebês, apesar de já terem mamado suficientes calorias, continuam pedindo e mamando em excesso, talvez porque falte a sensação de saciedade que as gorduras produzem.

pega correta e errada

É um erro, portanto, pensar que a amamentação sempre vai bem se o bebê engorda. Se para engordar, o bebê tem que sofrer vômitos, cólicas, diarreias, e suas mãe fissuras, ingurgitação e falta de sono, é porque a amamentação não vai bem. Deve-se ajudar a mãe a encontrar uma posição mais adequada.

Problemas frequentes com a posição inadequada

Quando a posição causa problemas (posição inadequada), o mais típico é que a boca do bebê esteja pouco aberta e que ele só agarre o mamilo. Evita-se esse problema colocando o bebê de maneira que, antes de abrir a boca, o mamilo não fique à altura de sua boca, mas do seu nariz.

Também é comum que o bebê chupe o seu lábio inferior junto com o peito. Isso pode ser evitado esperando que ele tenha a boca bem aberta antes de levá-lo ao peito.

Segurar o peito em forma de “tesoura” não é indicado, pois as pontas dos dedos não ficam suficientemente afastadas do mamilo, e isso provavelmente impedirá que o bebê agarre bem o peito. Recomenda-se que a mãe segure o peito formando um amplo “C”.

posição inadequada

Também não é conveniente apertar o peito com um dedo para afastá-lo do nariz do bebê. Ao fazê-lo é bem possível que o mamilo seja esticado para cima e que saia do lugar. Ás vezes é útil deslocar o bebê ligeiramente em direção aos seus pés, o que faz com que sua cabeça se estique e o nariz se separe um pouco do peito.

Ás vezes algumas mães inclinam-se sobre seus filhos e permanecem inclinadas durante toda a mamada. Isso pode, a longo prazo, causar dor nas costas, e alguns bebês têm a dificuldade para sustentar a cabeça para mamar.

Ás vezes a má posição deve-se a causas anatômicas. Por parte da mãe, os mamilos invertidos quase nunca causam problemas, contanto que alguém lhe mostre a posição correta e a ajude a posicionar o recém-nascido. O mamilo não é imprescindível para a amamentação.

Os mamilos grandes ou grossos demais podem causar problemas, pois o recém-nascido não consegue colocar a língua debaixo da aréola. Felizmente, o problema melhora à medida que o bebê cresce (e consequentemente o tamanho da sua boca aumenta).

Pelo lado do bebê, um freio lingual curto demais pode impedir que a língua esteja posicionada sobre a gengiva, o que dificulta a amamentação e causa dor e fissuras no mamilo. Nesses casos, a ponta da língua costuma ter uma fenda, e não pode separar-se do assoalho da boca. O problema desaparece rapidamente quando o freio é cortado.

freio lingual curto

A mesma posição não serve para todas as mães, pois isso depende do tamanho e orientação de seus seios. Alguns seios estão mais orientados para o meio, e outros para os lados. Em alguns casos, o mamilo aponta para frente e o bebê deve estar totalmente na frente da mãe. Em outros, o mamilo aponta mais para baixo, e o bebê deve estar um pouco inclinado para cima. O importante é que, antes de abrir a boca, sem necessidade de inclinar, dobrar ou girar o pescoço, o mamilo esteja de frente para o nariz.

posições para amamentar

Referência Bibliográfica:
  • GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno/ Carlos González; [tradução Maria Bernardes]. São Paulo. Editora Timo, 2014. 240 p. 

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