Vacina tríplice viral: sarampo, caxumba e rubéola (atenuada)

A vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) é uma combinação dos vírus vivos atenuados do sarampo, da caxumba e da rubéola. O conservante utilizado é a neomicina e os estabilizantes são a gelatina hidrolisada e o sorbitol ou albumina humana. Apresenta-se de forma liofilizada em frasco-ampola de multidoses, acompanhado do respectivo diluente. Também conhecida como vacina tríplice viral ou SCR.

Para impedir a infecção natural pelos vírus do sarampo, rubéola e caxumba, a imunização é visivelmente necessária, eficiente e segura.

Vacina tríplice viral

Doenças – Sarampo, caxumba e rubéola

Sarampo, caxumba e rubéola são viroses de transmissão respiratória, contra as quais têm vacinas eficientes. Estas viroses são habitualmente compreendidas entre as doenças corriqueiras da infância (acontecem comumente nessa faixa etária), contudo, podem acometer adultos não vacinados ou que não foram contaminados quando crianças.

As infecções por estes vírus determinam imunidade durável, ou seja, advêm somente uma vez na vida. Apesar de acreditar-se que seja possível o domínio eficaz destas doenças virais, e até mesmo a erradicação, com a vacinação em ampla escala, estas doenças ainda representam agravo de saúde pública em distintas partes do mundo, principalmente em regiões onde agrupa-se condições precárias de subsistência e cobertura vacinal imprópria.

Sarampo

O sarampo é uma doença de transmissão respiratória, ocasionada pelo vírus do sarampo. O período de incubação é de aproximadamente de 10 dias. Pode originar complicações como diarreia, otite, pneumonia e encefalite.  É mais grave em desnutridos, gestantes (pode provocar abortos espontâneos e parto prematuro), recém-nascidos e pessoas portadoras de imunodeficiências.

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Caxumba

A caxumba é uma doença de transmissão respiratória, originada pelo vírus da caxumba. Na maioria das vezes, causa sintomas controlados ou ausentes. Os sintomas mais frequentes, quando acontecem, são febre e aumento das glândulas salivares (parotidite). Contudo, pode afetar o sistema nervoso central (meningoencefalite), testículos (orquite), ovários (ooforite) e, raramente, pâncreas (pancreatite). Raramente pode ser motivo de surdez provisória ou permanente. Durante a gestação, a infecção pelo vírus pode proceder em aborto espontâneo, entretanto não têm evidências de que possa ocasionar mal-formações congênitas.

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Rubéola

A rubéola é uma doença transmitida por via respiratória, motivada pelo vírus da rubéola. Comumente tem progresso benigno e frequentemente não determina qualquer manifestação clínica. As manifestações mais corriqueiras são aumento de gânglios no pescoço, febre moderada, manchas avermelhadas primeiramente no rosto e que evolucionam ligeiramente em direção aos pés e, na maioria das vezes, desaparecem em menos de 24 horas. Estes aparecimentos, quando acontecem, não são característicos da rubéola e, tecnicamente, não são um diagnóstico clínico preciso sem a efetivação do exame sorológico.

vacina tríplice viral

Vacina Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola)

 

Indicação

É indicada como primeira dose para prevenir o sarampo, a caxumba e a rubéola, prevenção esta que, no caso de crianças menores de dois será completada pela vacina tetraviral.

Idade para aplicação

Deve ser aplicada aos 12 meses de idade, não havendo restrição para idades superiores. O Ministério da Saúde recomenda a vacinação para pessoas com até 49 anos.

Esquema Básico da vacina tríplice viral

Uma dose aos 12 meses de idade. As crianças e adolescentes entre 15 meses e 19 anos devem ter recebido duas doses da vacina contra sarampo e a rubéola. Assim, a segunda dose para crianças entre 15 e 23 meses, deve ser feita com a vacina tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). Caso não receba a segunda dose neste período, deve ser aplicada, a partir de 2 anos e até os 19 anos a tríplice viral (vacina sarampo, caxumba e rubéola ou SCR).

Aplicação

A dose a ser aplicada é de 0,5 mL.

A aplicação é feita por via subcutânea, na região posterior do braço (primeira escolha) ou na região dorsoglútea.

Utiliza-se seringa de 3,0 mL e agulha 13 x 4,5.

Contraindicações

Além das contraindicações gerais recomendadas para vacinas de microrganismos vivos, é contraindicada para mulheres grávidas; as mulheres vacinas devem esperar 30 dias para engravidar. Recomenda-se o seu adiamento por 3 meses nos casos de uso de imunoglobulinas, sangue total ou plasma.

  • Grávidas, indivíduos com comprometimento da imunidade por doença ou medicação, histórico de anafilaxia depois de administração da dose anterior da vacina ou referente a algum componente;
  • Grande parte das crianças com história de reação anafilática a ovo não apresenta reações adversas à vacina e, mesmo quando a reação é grave, não existe contraindicação a utilização da vacina tríplice viral.
  • Foi comprovado, em muitos estudos, que indivíduos que possuem alergia ao ovo, mesmo aqueles com alergia grave, têm risco mínimo de reações anafiláticas. A realização de teste cutâneo não é orientado, pois não consegue assegurar se a reação acontecerá. Contudo, é orientado que estas crianças, por prevenção, sejam vacinadas em ambiente hospitalar ou outro que proporcione condições de atendimento de anafilaxia.

Intervalo entre outras vacinas

Pode ser utilizada simultaneamente com outras vacinas do calendário nacional, exceto com a vacina contra febre amarela, devendo-se observar um intervalo de 30 dias entre elas.

Eficácia

Cerca de 95%.

Eventos adversos da vacina tríplice viral

Quando ocorrem, geralmente são benignos: febre, discreto exantema, parotidite, artralgia e artrite.

  • Febre alta (maior que 39,5⁰C), que aparece aproximadamente de cinco a doze dias após a administração da vacina, com um a cinco dias de permanência, pode acontecer em 5% a 15% dos vacinados. Determinadas crianças podem exibir convulsão febril, sem implicações graves. Em 0,5% a 4% dos vacinados também pode advir cefaleia, irritabilidade, febre moderada, lacrimejamento e irritação nos olhos, e coriza de cinco a 12 dias após a vacina. Manchas vermelhas disseminadas pelo corpo, sete a quatorze dias após a vacina, com duração de aproximadamente dois dias, aparecem em 5% dos vacinados. Gânglios inchados apresentam em menos de 1% dos vacinados a partir de sete a vinte e um dias de vacinado. Estes sintomas, advêm sobretudo após a primeira dose da vacina.
  • Inflamação das meninges (meningite), em geral benigna, pode incidir entre o 11º e o 32º dia depois da vacina. Inflamação do cérebro (encefalite) pode aparecer entre 15 a 30 dias após a administração da vacina em um a cada 1 milhão a 2,5 milhões de vacinados com a primeira dose.
  • A vinculação da vacina com o autismo foi completamente descartada.
  • Manifestações hemorrágicas, foi referida na dimensão de um fato para 30 mil a 40 mil vacinados, com progresso benigno entre 12 a 25 dias após a vacina. Todavia, esse evento contraindica outras doses da vacina tríplice viral.
  • Dor articular ou artrite aparece em 25% das mulheres depois da puberdade, de um a vinte e um dias após a vacina. Essa reação é breve, benigna e não contraindica outras doses.
  • Inflamação das glândulas parótidas ocorre em 0,7% a 2% dos vacinados, de dez a vinte e um dias depois da vacina.
  • A anafilaxia é extremamente rara e sucede quase sempre nos primeiros 30 minutos após a administração da vacina. Assim, contraindicam-se doses seguintes.

Conservação

Nas instâncias regional e central, deve ser mantida em temperatura a -20ºC. No nível local, deve ser conservada em temperatura entre +2ºC a +8ºC. Depois de diluída para uso, tem validade de 8 horas, desde que mantida em temperatura adequada (verificar se há outra orientação do laboratório produtor). O diluente, no momento da reconstituição, deve estar na mesma temperatura da vacina.

Situação Especial

O Ministério da Saúde recomenda essa vacina para os profissionais e estudantes das áreas da saúde, turismo e educação. Em casos de surtos de alguma das três doenças, recomenda-se a vacinação de bloqueio seletiva, conforme norma de vigilância epidemiológica de cada doença.

Em caso de circulação viral o Ministério da Saúde recomenda antecipar a administração da vacina para 6 meses de idade, porém deve-se desconsiderar a dose aplicada antes de 1 ano de idade no esquema básico. Nessa situação considerar intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.

Cuidados antes, durante e após a vacinação

  • Indivíduos que utilizaram medicamentos imunossupressores precisam ser vacinados pelo menos um mês depois a suspensão do uso do medicamento.
  • Indivíduos que utilizam quimioterápicos contra câncer, ou outro medicamento que provoque imunossupressão, só podem ser vacinados três meses depois a suspensão do tratamento.
  • Indivíduos que foram submetidos a transplante de medula óssea só podem receber a vacina de 12 a 24 meses depois da cirurgia.
  • É aconselhável evitar a gravidez por aproximadamente 30 dias depois de se vacinar. Entretanto, caso a vacinação ocorra inadvertidamente durante a gravidez, ou a mulher engravide após a vacinação, não é orientada a interrupção da gestação, pois o risco de problemas para o bebê é teórico, por tratar-se de vacina atenuada. Não existe relatos na literatura médica de problemas provenientes desse tipo de ocasião.
  • Qualquer sintoma grave e/ou inesperado depois da administração da vacina precisa ser notificado ao serviço que a efetivou.
  • Em caso de febre, deve-se aprazar a vacinação até que aconteça a melhora.
  • Compressas frias suavizam a reação no local da aplicação.
  • Sintomas de eventos adversos graves ou duráveis, que se delongam por mais de 24 a 72 horas, precisam ser analisados para averiguação de outras causas.

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Referência Bibliográfica:
  • Vacinas: Orientações práticas/Rosana David, organizadora; Lourdes Bernadete S. P. Alexandre_4. ed. São Paulo: Martinari, 2015.

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