Vacina BCG: o que é, reações e como cuidar da cicatriz

A vacina BCG previne a tuberculose. A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium bovis ou pelo Bacilo de Koch, que atinge mais frequentemente os pulmões, contudo, também pode provocar infecções nos rins, ossos e meninges. A vacina previne principalmente as formas graves, como meningite tuberculosa e tuberculose miliar (espalhada pelo corpo).

Composição da vacina BCG

A vacina BCG tem em sua composição o bacilo de Calmette-Guérin — origem do nome BCG, obtido pela atenuação (enfraquecimento) de uma das bactérias que promovem a tuberculose. Associados a sua composição estão o glutamato de sódio e a solução fisiológica (soro a 0,9%).

Idade para aplicação

A vacina é preconizada de rotina desde o nascimento até aos menores de 5 anos de idade. Deverá ser aplicada o mais precocemente possível, de preferência ainda na maternidade, em recém-nascidos com peso maior ou igual a 2 Kg. Entretanto, pessoas de qualquer idade que convivem com portadores de hanseníase ou estrangeiros ainda não vacinados e que estejam de mudança para o Brasil, também são orientados a vacinar.

Esquema básico e aplicação

O esquema é dose única, o local de aplicação é intradérmica. A vacinação não requer qualquer cuidado prévio. Após a aplicação não se deve colocar produtos, medicamentos ou curativos no local. A dose a ser aplicada é 0,1 mL. A via é intradérmica, na altura da inserção inferior do músculo deltoide do braço direito. Utiliza-se a seringa de 1,0 mL e agulha 13×4,5.

Contraindicações

A BCG não é indicada para pessoas imunodeprimidas e recém-nascidos de mães que fizeram uso de biológicos durante a gravidez (medicamentos que possam ocasionar imunodepressão do bebê na gestação). Além, de bebês prematuros (com menos de 36 semanas), até que alcancem 2 kg de peso, devido à escassez de tecido dérmico e completem um mês de vida.

Reação esperada

A BCG é um bacilo vivo, atenuado, e há possibilidade de promover uma reação conhecida como BCGite, que acontece de seis a dez semanas após a vacinação. Trata-se de uma inflamação no local em que foi injetada a substância, com formação de pus, de onde pode sair a secreção branco-amarelada.

Apesar da aparência desagradável, essa reação não gera nenhum prejuízo para a criança. A BCGite só é grave naquelas que têm algum tipo de imunodeficiência ou são portadores do vírus HIV. Nesses casos, é melhor não aplicar o imunizante.

Quando a vacina não deixa cicatriz, pode ser pelo fato de a criança não ter respondido à mesma devido à falha vacinal que acontece em cerca de 5% dos vacinados ou, porque não houve resposta, mas com lesão discreta sob a pele, tornando difícil a identificação. Crianças que não apresentam cicatriz vacinal na primeira dose devem ser revacinadas após seis meses.

vacina BCG

Como cuidar da ferida? 

Na grande maioria dos bebês, o cuidado é apenas com a lavagem na hora do banho com água e sabão, este é suficiente para lidar com a feridinha que se forma. Importante não apertar ou não estourar o nódulo.

Geralmente, não existe dor no local da picada. Há crianças que podem ter uma reação mais intensa, apresentando uma ferida purulenta mais expansiva, e até gânglios (“íngua”) na região axilar. Nesses casos, que não são muito frequentes, é preciso buscar auxílio médico e tomar antibióticos direcionados ao bacilo vacinal.

Intervalo entre outras vacinas

Pode ser utilizada simultaneamente com outras vacinas, não ocorrendo com isso prejuízos para a pessoa vacinada. Não existe nenhum problema quanto ao intervalo com outras vacinas, caso não seja feita no mesmo dia.

Eficácia

Cerca de 80% contra as formas graves, como meningite e tuberculose miliar. A proteção conferida pela vacina mantém-se por 10 a 15 anos.

Eventos adversos

Os principais eventos adversos são: abscessos, ulceração maior que 10 mm no local da aplicação e linfadenite regional.

Situações Especiais

Deve ser administrada: aos profissionais da saúde não reatores ou reatores fracos ao PPD (nódulo de diâmetro inferior a 10 mm) uma dose apenas; às crianças menores de 5 anos (4 anos, 11 meses e 29 dias) que não apresentam cicatriz vacinal; aos comunicantes de casos de hanseníase que devem receber uma dose da vacina caso tenham ou não cicatriz vacinal.

Crianças menores de um ano comunicantes de hanseníase já imunizadas com BCG não necessitam de outra dose. As crianças maiores de um ano comunicantes de hanseníase que não foram imunizadas devem receber uma dose de BCG e as que foram imunizadas com uma dose devem receber a segunda dose de BCG, com intervalo mínimo de 6 meses após a dose anterior.

As crianças filhas de mãe HIV positivas podem receber a vacina o mais precocemente possível até os 18 meses de idade, se assintomáticas e sem sinais de imunodeficiência. As crianças expostas ao HIV com idade entre 18 meses e 4 anos, não vacinadas, apenas podem receber a vacina BCG após sorologia negativa para HIV.

vacina BCG

Referência Bibliográfica:
  • Vacinas: Orientações práticas/Rosana David, organizadora; Lourdes Bernadete S. P. Alexandre_4. ed. São Paulo: Martinari, 2015.
  • Imunização: Tudo o que você sempre quis saber/Isabella Ballala, Flavia Bravo, Organização; 3ª ed. Rio de Janeiro, 2017.
  • Site oficial: Sociedade Brasileira de Imunizações: https://sbim.org.br/

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