Vacina dT infantil (dupla bacteriana do tipo infantil): tétano e difteria

A vacina dT infantil (dupla bacteriana o tipo infantil) é uma vacina inativada, portanto, não há possibilidade de causar a doença. Tem em sua composição toxoides diftérico e tetânico, provenientes das toxinas fabricadas pelas bactérias que são capazes de originar as doenças; possui o sal de alumínio como adjuvante, cloreto de sódio, e água para injeção.

Vacina dT infantil

Doença

A difteria (“crupe”) é uma doença grave e extensamente fatal, originada pela toxina fabricada por uma bactéria denominada Corynebacterium diphtheriae. A difteria que pode acometer pessoas susceptíveis (não adequadamente vacinadas) de qualquer idade e não somente as crianças, como era mais habitual antes do uso sistemático da vacina. A transmissão acontece de pessoa a pessoa, por meio de gotículas de secreção respiratória integrada a bactéria (e esporadicamente secreção de lesões cutâneas).

O tétano também é uma doença grave e extensamente fatal, originada por uma toxina fabricada pelo Clostridium tetani, uma bactéria que pode acometer ferimentos (mesmo que sejam mínimos). Esta bactéria é localizada no ambiente (solo, esterco, superfície de objetos) sob a forma de esporos (formas de resistência). Quando acomete ferimentos, sob circunstâncias positivas (presença de tecidos mortos, corpos estranhos e sujeira), tem capacidade de desenvolver a toxina tetânica, que age em terminais nervosos, impulsionando contrações musculares intensas.

As manifestações iniciais do tétano, comumente é a complexidade de abrir a boca (trismo) e de deglutir, aparecem alguns dias depois do alojamento dos esporos do Clostridium tetani nos ferimentos. Na maioria das vezes, acontece progressão para contraturas musculares generalizadas, as quais podem colocar a vida do indivíduo em risco quando atingem a musculatura respiratória.

Indicações da vacina dT infantil

A vacina dT infantil (dupla bacteriana do tipo infantil ) é indicada a partir dos 7 anos de idade, que tenham manifestado encefalite nos sete dias consecutivos à administração de dose anterior de vacina incluindo componente coqueluche (DTPw ou DTPa).

Contraindicações da vacina dT infantil

  • Crianças que são maiores de 7 anos de idade.
  • Não deve ser usada de rotina. A vacina orientada de rotina para crianças é a tríplice bacteriana e suas combinações, que também é extremamente segura e eficaz na proteção contra a coqueluche.

Esquema de doses da vacina dT infantil

O esquema de doses é constituído por uma a três doses, que está relacionado com o histórico individual da criança e sob orientação médica.

Via de aplicação

Intramuscular

Cuidados antes, durante e depois da vacinação

  • Não são mandatórios cuidados específicos antes da administração da vacina;
  • Em caso de febre, deve-se aprazar a vacinação até que aconteça a melhora;
  • Em indivíduos com doenças que acrescem o risco de sangramento, a aplicação intramuscular pode ser trocada pela subcutânea;
  • Compressas frias suavizam a reação no local da aplicação;
  • Se acontecer uma manifestação local muito prolongada (Arthus), é fundamental analisar o intervalo de dez anos depois da administração da vacina em relação a última dose para se aplicar a dose de reforço;
  • Qualquer sintoma grave e/ou inesperado depois da administração da vacina precisa ser notificado ao serviço que a efetivou;
  • Sintomas de eventos adversos graves ou duráveis, que se delongam por mais de 24 a 72 horas, precisam ser analisados para averiguação de outras causas.

Efeitos e eventos adversos da vacina dT infantil

  • Geralmente acontecem somente manifestações brandas e passageiras no local da aplicação, com melhora aproximada dos sintomas entre 24 a 48 horas.
  • De 9% a 35% dos imunizados manifesta febre baixa a moderada, e somente 0,2% apresentam febre alta.
  • Sono intenso pode aparecer nas primeiras 24 horas depois da administração da vacina em 43% a 54% das crianças.
  • Falta de apetite de intensidade leve e sem extensão nas primeiras 24 horas pode acontecer com 22% a 26% dos imunizados; enquanto a porcentagem que manifesta vômito é de 9% a 15%.
  • Irritabilidade é comum em 55% a 67% dos imunizados.
  • Choro prolongado acontece em 0,06% dos imunizados e choro persistente por mais de uma hora em 5% a 6% deles.

Há risco de tétano em qualquer tipo de ferimento?

Sim. Apesar do risco de desenvolvimento de tétano seja mais propenso em indivíduos não imunizados que possuem feridas sujas, mal cuidadas ou com corpos estranhos, o tétano pode estar presente até mesmo sem um ferimento visível (10% a 20% dos casos). Isto categoriza a vacinação indispensável, independentemente da presença de ferimentos.

A vacina contra tétano e difteria é igual para adultos e crianças?

Não. O esquema básico de vacinação para as crianças se inicia no primeiro ano de vida. É realizado com três doses de DTP (vacina contra tétano, difteria e coqueluche, adequada para a infância), aos dois, quatro e seis meses, vinculado a um reforço aos 15 meses e outro entre quatro e seis anos de idade. A partir deste período, a cada dez anos, deve ser efetivado um reforço com dT (vacina contra tétano e difteria, adequada para adultos), para assegurar proteção adequada.

Tétano Neonatal

As gestantes que não foram imunizadas (dupla bacteriana do tipo adulto – dT), além de não estarem protegidas não transmitem anticorpos para o bebê, o que possibilita risco de tétano neonatal depois do nascimento do neném. A vacina é realizada como a de qualquer adulto, com a vacina dT (três doses), que pode ser aplicada com segurança na gestação. É orientado que, de acordo com o tempo disponível, se viável a terceira (ou até mesmo a segunda dose) seja aplicada até duas semanas da data prevista do parto, com o intuito de obter a passagem de elevados títulos de anticorpos para o concepto. É necessário programar a 3a dose para as mulheres que efetivaram somente duas doses na gravidez (seis a doze meses após a 2a dose).

Vacina dT infantil

O tétano neonatal é considerado uma doença infecciosa aguda, grave, não transmissível e imunoprevenível (doença que pode ser prevenida com a vacinação). Acomete recém-nascidos principalmente na primeira semana de vida (60%) e nos quinze dias iniciais de vida (90%). Os casos de tétano neonatal, comumente, estão interligados a problemas de acesso a serviços de saúde de qualidade.

Para prevenir o tétano é necessário apenas estar vacinado?

Não. O esquema de doses completo da vacina diminui consideravelmente o risco de tétano, contudo é preciso higienizar o ferimento com água e sabão, e buscar remover corpos estranhos (sujeira).

Referência Bibliográfica: Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM)

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