Vacina Hepatite B (recombinante) deve ser aplicada a partir do nascimento

A vacina Hepatite B (recombinante) estimula a formação de anticorpos contra o vírus da hepatite B. Antígeno HBs produzido por engenharia genética (recombinante), adsorvido em hidróxido de alumínio e timerosal como conservante. Apresenta-se na forma líquida em frasco de múltiplas doses.

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Doença

Aproximadamente 90% dos recém-nascidos infectados por suas mães durante o parto, serão portadores crônicos, podendo transmitir a doença para seus parceiros durante a vida através da relação sexual. Diante estudos científicos realizados, uma entre quatro crianças que contraem o vírus da Hepatite B por meio de suas mães, apresentam futuramente câncer hepático ou cirrose.

Os sintomas mais comuns são cansaço, febre, dores musculares e nas articulações, náuseas, vômitos, perda de apetite, dor abdominal e diarreia. Algumas pessoas desenvolvem icterícia (olhos e pele amarelados), urina escura e prurido na pele.

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Indicações da vacina Hepatite B

  • Previne hepatite pelo vírus B;
  • É destinada aos indivíduos menores de 49 anos, para gestantes em qualquer faixa etária e idade gestacional e também para população vulnerável independente da idade, nas seguintes situações: parceiros sexuais e comunicantes domiciliares de hepatite B, homens que fazem sexo com homens e mulheres que fazem sexo com mulheres; lésbicas, gays, travestis e transexuais (LGBLT); profissionais da saúde e alunos da área da saúde; bombeiros e policiais militares, civis e rodoviários; caminhoneiros, carcereiros de delegacia e penitenciária; podólogos, pedicures e manicures; tatuadores; profissionais do sexo; coletores de lixo; auxiliares de necropsia; agentes funerários; população penitenciária; população indígena; pessoas reclusas (hospitais psiquiátricos, presídio, instituições de menores, forças armadas, entre outras); populações de assentamento e acampamentos, portadores crônicos do vírus da hepatite C; renais crônicos; politransfundidos; portadores de neoplasias; usuários de drogas injetáveis e inaláveis; pacientes com AIDS ou HIV positivo; portadores de doenças sexualmente transmissíveis, doares regulares de sangue e portadores de anemia falciforme;
  • A Vacina hepatite B (recombinante) deve também prevenir hepatite D (causada pelo delta-vírus), visto que hepatite D não ocorre na ausência da infecção por hepatite B.

Idade para Aplicação

A partir do nascimento, não havendo limite de idade para vacinação. A primeira dose deve ser aplicada o mais precoce possível, preferencialmente, nas primeiras 24 horas de vida. No calendário nacional é preconizada para pessoas com até 49 anos de idade.

Quando a mãe é portadora do vírus (independente do período que foi adquirida a infecção), o recém-nascido deve receber a 1ª dose da vacina nos primeiros 7 dias de vida. E também, durante as primeiras 48 horas de vida, precisa receber também imunoglobulina contra o vírus da hepatite B.

Esquema básico

Para recém-nascidos administrar uma dose ao nascer com a vacina de hepatite B (recombinante) e complementar o esquema com a vacina adsorvida de difteria, tétano, pertussis, Haemophilus influenzae b (conjugada) e hepatite B (recombinante) – pentavalente, com uma dose aos 2,4, e 6 meses de idade.

Para crianças que iniciam o esquema vacinal a partir de um mês de idade até menor de 5 anos, administrar 3 doses com a vacina pentavalente, com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo 30 dias.

Nas demais faixa etárias recomenda-se a vacina de hepatite B (recombinante), utilizando esquema com intervalo de 0,1 e 6 meses (mínimo de 1 mês entre 1ª e 2ª doses; 2 meses entre a 2ª e 3ª e mínimo de 4 meses entre 1ª e 3ª dose).

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Contraindicações

  • Hipersensibilidade aos componentes da vacina, integrando leveduras; doença aguda moderada a grave (não vacinar até que o paciente se estabilize da fase aguda da doença);
  • Ocorrência de reação anafilática em dose anterior.

Intervalo entre outras vacinas 

Pode ser utilizada simultaneamente com outras vacinas. Não há necessidade de intervalo de outras vacinas do calendário nacional ou entre vacinas utilizadas em situações especiais.

Aplicação

  • Via intramuscular em vasto lateral da coxa em menores de 2 anos e em deltoide a partir de 2 anos de idade;
  • Utilizar seringa de 2,0 ou 3,0 mL e agulha 20×5,5 em menores de 2 anos e 25×7 ou 30×7 nas demais faixas etárias;
  • Aplicar 12,5 mcg (0,5 mL) em menores de 20 anos e 25 mcg (1,0 mL) a partir de 20 anos de idade.

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Eficácia 

A vacina Hepatite B confere eficácia de 95% ou mais. Esta eficácia pode ser reduzida em pacientes imunocomprometidos ou que estejam recebendo tratamento imunossupressor. Também,  a vacina pode não prevenir infecções em pacientes portadores de Hepatite A não identificada no instante da vacinação (a infecção apresenta um período extenso de incubação, sendo de 6 semanas a 6 meses).

Eventos adversos

  • Local: dor
  • Sistêmico: febre baixa, mal-estar, cefaleia e fadiga.

Conservação

A vacina Hepatite B deve ser conservada em temperatura entre + 2º a + 8ºC em todas as instâncias da cadeia de frio (local, regional e central).

Riscos 

  • Na gravidez: Classe C: Não existem estudos precisos em mulheres (em experimentos com animais aconteceram efeitos adversos em relação o feto). O benefício potencial da vacina pode justificar o risco potencial na gravidez;
  • Amamentação: Não há estudos científicos que comprovem que a vacina contra a hepatite B (recombinante) é excretada no leite. Estes problemas não foram documentados;
  • É imprescindível avaliar os riscos x benefícios para trombocitopenia, distúrbios hemorrágicos (ex; hemofilia) ou tratamento com anticoagulantes; hemodiálise (pode ser preciso administrar doses mais altas da vacina para se alcançar níveis protetores de anticorpos); pacientes que estejam ou tiveram doença febril recentemente; pacientes com doença aguda leve.

Situações Especiais

Utilizar esquema de 4 doses, independentemente da idade em pacientes HIV positivo ou com AIDS, renais crônicos, politransfundidos ou hemofílicos (esquema 0,1,2 e 6 ou 12 meses).

Pacientes imunodeprimidos, transplantados, renais crônicos e pacientes com neoplasias devem receber o dobro da dose em cada aplicação. Para recém-nascidos de mãe HIV positivo consultar o capítulo sobre imunobiológicos especiais.

Para a prevenção de transmissão vertical em recém-nascidos de mães portadoras de hepatite B é necessário administrar a vacina e a imunoglobulina humana anti-hepatite B (HBIG), em locais anatômicos diferentes.

Para gestantes, o Ministério da Saúde recomenda sua aplicação em qualquer idade gestacional, com esquema de 3 doses, considerando o histórico de vacina anterior.

Referência Bibliográfica:
  • Vacinas: Orientações práticas/Rosana David, organizadora; Lourdes Bernadete S. P. Alexandre_4. ed. São Paulo: Martinari, 2015.

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