Vacina HPV4: esclarecimentos sobre a vacina para prevenção do HPV

A vacina HPV, ou papiloma vírus humano, é oferecida em forma de injeção e protege não somente contra o vírus HPV, mas também o câncer do colo do útero, da vulva, da vagina, do ânus e verrugas genitais (condiloma). Depois da administração da vacina, o corpo inicia a produção de anticorpos imprescindíveis para combater o vírus, e desta maneira, caso a pessoa seja contaminada, ela não desenvolve a patologia, ficando resguardada.

Não se vacinar é colocar a vida em risco. A cada 100 mulheres, 80 serão infectadas pelo vírus do HPV em um determinado período da vida. O HPV é uma doença com 50% de letalidade, a causa por aproximadamente 70% das ocorrências de câncer de colo do útero, doença que, no Brasil, leva aproximadamente 5 mil mulheres ao óbito anualmente.

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Vacinação quadrivalente, produzida por meio de tecnologia DNA recombinante, contendo proteína L1 do Papilomavírus humano tipos 6, 11, 16, e 18 e adjuvante sulfato de hidroxifosfato de alumínio amorfo. Apresenta-se em suspensão injetável, em frasco ampola unidose. A vacina contra o vírus HPV tem eficácia comprovada durante 8 a 9 anos.

Indicações da vacina HPV

Está indicada para a proteção da infecção por Papilomavírus humano e, consequentemente, prevenir o câncer de colo uterino.

  • Preconizada para mulheres entre os 9 e 45 anos, e homens entre os 9 e os 26 anos de idade;
  • Promove proteção contra os vírus 6, 11, 16 e 18;
  • Promove proteção contra as verrugas genitais, o câncer do colo do útero na mulher e o câncer do pênis ou do ânus no homem.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) indicam a administração da vacina em meninas e mulheres de 9 a 45 anos de idade e meninos e jovens de 9 a 26 anos. Homens e mulheres em idades que não estão inseridas na faixa de Flicenciamento, também podem ser favorecidos com a vacina, de acordo com a indicação médica.

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Idade para aplicação da vacina HPV

No primeiro ano de implantação da vacina do SUS (ano de 2014) o início da vacina está indicado para meninas de 11 a 13 anos de idade, no segundo ano (2015) para meninas de 9 a 11 anos e, a partir de 2016, para meninas de 9 anos.

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Esquema básico

O esquema vacinal consiste em 3 doses (denominado esquema estendido): 6 e 60 meses.

São realizadas 3 doses, no esquema 0, 2, e 6 meses, onde a segunda dose é feita depois de 2 meses e a terceira dose após 6 meses da primeira dose. Em crianças, o efeito de proteção já pode ser adquirido com somente 2 doses, por isso determinadas campanhas de vacinação podem disponibilizar exclusivamente 2 doses.

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Contraindicações da vacina HPV

A vacina está contraindicada para grávidas e para aquelas que apresentarem sintomas de hipersensibilidade à dose anterior ou a algum componente da vacina.

  • Gravidez, contudo, a administração da vacina pode ser realizada após o nascimento do bebê, através de orientação do ginecologista obstetra;
  • Quando se apresenta determinado tipo de alergia aos componentes da vacina;
  • Quando há febre ou doença aguda;
  • Em caso de doenças como trombocitopenia – diminuição do número de plaquetas; dificuldades de coagulação sanguínea.

A vacinação pode auxiliar na prevenção da infeção pelo vírus HPV e o câncer de colo do útero, entretanto não é preconizada para tratar a doença. Por isso, é indispensável usar o preservativo durante as relações sexuais e, além disso, a mulher precisa realizar consultas de rotina com o ginecologista ao menos uma vez por ano e efetivar exames ginecológicos como o papanicolau.

Aplicação da vacina HPV

A dose é de 0,5 mL.

A aplicação é por via intramuscular, preferencialmente no músculo deltoide ou vasto lateral da coxa.

Utilizar seringa de 1,0 ou 3,0 mL e agulha 25 x 6 ou 25 x 7.

Intervalo entre outras vacinas

Pode ser utilizada simultaneamente como outras vacinas do PNI e não há intervalos mínimos em relação às outras vacinas do programa.

Eficácia da vacina HPV

Estudos apontam que a vacina confere eficácia de 96% para as lesões intraepiteliais cervicais de alto grau associadas ao HPV 16 e 90% às lesões associadas ao HPV 18 em meninas sem contato prévio com o HPV.

Eventos adversos da vacina HPV

Local: dor, edema e eritema de intensidade moderada.

Sistêmico: febre de 38ºC ou mais, cefaleia e síncope (síncope vasovagal).

Na Inglaterra, depois de dois anos de inclusão da vacina no calendário do governo, e da aplicação de 4,5 milhões de doses, somaram-se 4.703 eventos adversos. Do total de eventos expostos, 17% consistiram em reações local (dor, rubor e edema); 11%, reações alérgicas (urticária e coceira); e 37%, reações comuns como náuseas, vômitos e cefaleia. Foram certificadas ainda manifestações psicogênicas (21%) referenciadas como pânico e desmaios provocados apenas pelo medo da injeção e não pela vacina – especialmente em adolescentes e mulheres jovens. Não aconteceu nenhuma ocorrência de doença neurológica, paralisia ou doença autoimune.

Conservação

A vacina deve ser conservada na temperatura +2ºC a +8ºC em todas as instâncias da rede de frio.

Situações especiais

Recomenda-se que o esquema vacinal seja completado com a mesma vacina, por ser desconhecida a eficácia quando as vacinas são usadas de forma intercambiáveis. Meninas que tenham feito esquema completo com a vacina bivalente não devem ser revacinadas com a vacina quadrivalente.

Cuidados antes, durante e após a vacinação:

  • A mulher precisa ter certeza de que não está gestante antes de se vacinar. Entretanto, se a vacina for realizada sem que se saiba da gestação, nenhuma intervenção se faz mandatória. Quando a gravidez tem princípio antes de o esquema estar acabado, deve-se interromper a vacinação e retomá-la após o nascimento do bebê;
  • Presença de algum sintoma grave e/ou repentino depois da administração da vacina precisa ser comunicado ao serviço que a efetivou;
  • Em caso de febre, precisa-se aprazar a vacinação até que o indivíduo esteja melhor;
  • Compressas frias suavizam a reação no local da aplicação;
  • Sintomas de ocorrências adversas graves ou duráveis, que se delongam por mais de 24 a 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser averiguados para investigação de outras causas.

Por que administrar a vacina em meninas e meninos menores de 15 anos de idade?

Os estudos científicos apontam que a vacina contra HPV apresenta uma eficiência maior quando administrada em quem ainda não começou a vida sexual, e por esse motivo o SUS só administra a vacina em crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos, entretanto todos podem tomar a vacina em clínicas particulares.

É necessário fazer algum exame antes de tomar a vacina? 

Não é necessário efetivar nenhum exame para averiguar se existe infecção pelo vírus HPV antes da vacina ser administrada. Entretanto, deve-se informar caso não seja virgem pois a vacina não apresenta a mesma eficácia em pessoas que já tiveram relação sexual.

A vacina contra o HPV é segura?

A vacina é segura e apresenta poucos efeitos colaterais, pois já foi aplicada em diversas pessoas, de distintos países e ainda não há estudos científicos que evidenciem efeitos secundários graves conexos ao seu uso.

Todavia, existem alguns casos relatados, de pessoas que podem estar nervosas e apreensivas durante a aplicação, podendo desmaiar. Mas, este evento não está vinculado diretamente à vacina administrada, estando pertinente ao sistema emocional do indivíduo.

O Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas (GACVS, na sigla em inglês), órgão independente interligado à Organização Mundial de Saúde (OMS), concretizou uma investigação sistemática da utilização das vacinas contra o HPV e não deparou qualquer problema de segurança que possa modificar as indicações desse instrumento de prevenção. Ainda, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, e diversos órgãos regulatórios internacionais certificaram as vacinas após ponderação prudente dos dados sobre segurança.

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Referência Bibliográfica:

  • Vacinas: Orientações práticas/Rosana David, organizadora; Lourdes Bernadete S. P. Alexandre_4. ed. São Paulo: Martinari, 2015.

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