Vacina quádrupla viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) – SCR-V

A vacina quádrupla viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela atenuada) é uma combinação dos vírus atenuados vivos do sarampo, da caxumba, da rubéola e da varicela. Apresenta-se na forma liofilizada em frasco-ampola unidose ou multidoses, acompanhado de água para injeção como diluente.

Indicação da vacina quádrupla viral

É indicada como segunda dose para prevenir o sarampo e caxumba e rubéola e como dose única para a prevenção da varicela para crianças que receberam anteriormente uma dose da vacina sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral ou SCR).

Idade para aplicação 

Deve ser aplicada aos 15 meses de idade, desde que a criança tenha recebido anteriormente (com 12 meses) uma dose de vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral/SCR) até os 4 anos de idade.

Esquema Básico

Uma dose aos 15 meses de idade, sendo imprescindível que a criança tenha recebido anteriormente com 12 meses uma dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). Referente à varicela, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) orientam duas doses da vacina, com intervalo de três meses: aos 12 meses e entre 15 e 24 meses de idade. Essas doses coincidem com o esquema de vacinação da vacina SCR e, assim, a utilização da vacina SCR-V pode ser adotada.

Aplicação

A dose a ser aplicada é de 0,5mL.

A aplicação é feita por via subcutânea, na região posterior do braço (primeira escolha) ou na região dorsoglútea.

Utiliza-se seringa de 3,0 mL e agulha 13 x 4,5.

vacina quádrupla viral

Contraindicações da vacina quádrupla viral

Observar as contraindicações gerais às vacinas de componentes vivos. É contraindicada para mulheres grávidas e para aqueles que apresentaram reação de hipersensibilidade a algum dos componentes da vacina ou à dose anterior. Segundo o fabricante, não deve ser utilizada em crianças menores de 9 meses e em maiores de 12 anos.

  • Grávidas; indivíduos com comprometimento da imunidade por doença ou medicamentos; histórico de anafilaxia depois de dose anterior da vacina ou a algum elemento.
  • Grande parte das crianças com histórico de reação anafilática a ovo não tem efeitos adversos à vacina e, mesmo quando a manifestação é grave, não existe contraindicação a utilização da vacina tríplice viral. Foi constatado, em estudos, que pessoas com alergia ao ovo, mesmo aquelas com alergia grave, apresentam risco imperceptível de reações anafiláticas. O teste cutâneo não é indicado, pois não consegue predizer se a reação ocorrerá. Contudo, orienta-se que estas crianças, por cautela, recebam a administração da vacina em âmbito hospitalar ou outro que proporcione condições de atendimento de anafilaxia.

Intervalo entre outras vacinas

O intervalo mínimo entre a vacina tríplice viral e a tetra viral é de 30 dias.

Pode ser utilizada simultaneamente com outras vacinas, exceto com a vacina contra febre amarela (deve haver um intervalo mínimo de 30 dias entre elas).

Eficácia da vacina quádrupla viral

Apresenta taxas de soroconversão que variam para cada agente que compõe a vacina. Após 1 dose apresenta 91% de soroconversão para caxumba, 96% para sarampo, 97% para varicela e 99,7% para rubéola.

Eventos adversos da vacina quádrupla viral

Febre e exantema semelhante ao sarampo. Também pode levar a um quadro de varicela pós-vacinal (quadro geralmente leve, de menor duração, sem febre e poucas lesões).

  • Depois da primeira dose, 22% das pessoas vacinadas com a SCR-V apresentam risco de febre. Essa percentagem reduz para 15% quando da aplicação das vacinas em separado. O risco de convulsão febril é um pouco mais alto depois da primeira dose, quando é realizada com a vacina SCR-V, em comparação com as vacinas separadas, o que caracteriza a um caso a mais para cada 2.500 crianças vacinadas. Na segunda dose de SCR-V, essas distinções não ocorrem e a quantidade de efeitos adversos é a mesma depois da administração da vacina com uma ou outra apresentação.
  • Em 3% das pessoas vacinadas surgem erupções na pele parecidas às do sarampo. Essas erupções se alojam de cinco a 12 dias depois da vacina e evanescem em alguns dias sem promover complicações.
  • As reações locais advêm menos de 0,1% das pessoas vacinas e integram: ardência, rubor, dor e desenvolvimento de nódulo.
  • Febre alta (superior a 39,5⁰C), que aparece de cinco a 12 dias após a administração da vacina, com um a cinco dias de permanência, pode incidir em 5% a 15% dos vacinados. Nesse acontecimento, crianças propensas podem apresentar convulsão febril, sem sequelas.
  • Em 0,5% a 4% dos indivíduos vacinados também cefaleia e coriza, de cinco a 12 dias depois da vacina.
  • Manchas vermelhas no corpo, sete a 14 dias após a administração da vacina, perdurando aproximadamente dois dias, surgem em 5% das pessoas vacinadas.
  • Gânglios inchados surgem em menos de 1% dos vacinados entre sete a 21 dias depois da administração da vacina.
  • Todos estes sintomas citados a cima acontecem especialmente depois da primeira dose da vacina.
  • Inflamação das meninges (meningite), em geral benigna, pode acontecer entre o 11º e o 32º dia depois da vacina. Inflamação do cérebro (encefalite) pode aparecer entre 15 a 30 dias depois da vacinação em um a cada 1 milhão a 2,5 milhões de vacinados com a primeira dose.
  • A associação da vacina SCR com autismo está excluída.
  • Manifestações hemorrágicas (púrpura trombocitopênica) foi apresentada na extensão de um caso para 30 mil a 40 mil vacinados, com progresso benigno entre 12 a 25 dias depois da administração da vacina, porém sua ocorrência contraindica doses seguintes.
  • Dor articular ou artrite aparece em 25% das mulheres depois da puberdade, de um a 21 dias depois após a administração a vacina. Essa reação é passageira, benigna e não contraindica outras doses da vacina.
  • Inflamação das glândulas parótidas sucede em 0,7% a 2% as pessoas vacinadas, de dez a 21 após a vacinação.
  • A anafilaxia é muito infrequente e sobrevém com mais assiduidade nos primeiros 30 minutos, o que contraindica doses seguintes.

Conservação da vacina quádrupla viral 

Deve ser conservada em temperatura entre +2ºC a +8ºC em todas as instâncias da rede de frio. Após a reconstituição, a vacina tetra viral deve ser imediatamente administrada. Quando utilizar frasco multidoses, verificar a orientação do laboratório produtor sobre o prazo de validade após a diluição. O diluente, no momento da reconstituição, deve estar na mesma temperatura da vacina.

Situação Especial 

Aguardar intervalo de 3 meses pós utilização de imunoglobulina humana ou transfusão de sangue. Administrar com cautela em crianças que apresentaram reação anafilática à ingestão de ovo.

Cuidados antes, durante e após a vacinação:

  • Crianças que utilizaram medicações imunossupressores devem ser vacinadas pelo menos um mês depois da interrupção do uso do medicamento;
  • Crianças que realizam quimioterapia para tratamento de câncer, ou outras drogas que provocam imunossupressão, devem ser vacinadas somente após três meses de interrupção do tratamento;
  • Crianças que foram submetidas a transplante de medula óssea devem ser vacinadas somente de 12 a 24 meses depois do procedimento;
  • Presença de algum sintoma grave e/ou repentino depois da administração da vacina precisa ser comunicado ao serviço que a efetivou;
  • Em caso de febre, precisa-se aprazar a vacinação até que o indivíduo esteja melhor;
  • Compressas frias suavizam a reação no local da aplicação;
  • Sintomas de ocorrências adversas graves ou duráveis, que se delongam por mais de 24 a 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser averiguados para investigação de outras causas.

Referência Bibliográfica:

  • Vacinas: Orientações práticas/Rosana David, organizadora; Lourdes Bernadete S. P. Alexandre_4. ed. São Paulo: Martinari, 2015.

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