Vacina varicela: imunização contra a catapora

A vacina varicela consiste no vírus da varicela atenuado, proveniente da cepa Oka. Pode conter antibióticos. As apresentações geralmente contêm 125 unidades por frasco com o volume variando de 1,25 a 2,5 mL. A vacina tem formulações em que se apresenta isolada e outras em que faz parte da tetravalente viral, junto com os antígenos sarampo, caxumba e rubéola.

vacina varicela

Doença

É doença de distribuição mundial e de elevada contagiosidade, verificando-se infecção em cerca de 90% dos suscetíveis que entram em contato com o vírus. Acomete principalmente crianças na primeira década de vida. Os adultos são responsáveis por apenas 5% dos casos, porém apresentam com mais frequência doença grave e risco de morte 25 vezes maior do que as crianças.

A varicela (catapora) é uma doença muito comum na infância, sendo uma das mais contagiosas dentre as patologias que são caracterizadas como infecciosas. Apresenta quadro clínico na maioria das vezes leve, podendo, contudo, ser extremamente grave, principalmente em crianças muito pequenas, em adultos e em pessoas imunodeprimidas, em tratamento quimioterápico, por exemplo.

Aparecimento de exantema de aparência maculopapular e disseminação predominantemente na face e tronco, que, após algumas horas, torna-se vesicular, evolve em passo acelerado para pústulas e, em seguida, forma crostas em aproximadamente 3 a 4 dias. Pode apresentar febre moderada e coceira, é comum. Em crianças, especialmente, é uma doença benigna e autolimitada. Em adultos e adolescentes, o quadro clínico é mais complexo e sugere complicações, como pneumonia. Se uma grávida contrair catapora, há um risco de lesão fetal grave.

A varicela pode apresentar formas severas e complicações clínicas importantes durante a adolescência. Na América Latina, estima-se uma incidência aproximada de 800 mil casos/ano de varicela, sendo 10% em adolescentes.

Transmissão da catapora

A transmissão se dá por contato direto, por meio de gotículas nasofaríngeas ou de secreções do trato respiratório superior de indivíduos infectados, ou por partículas provenientes de lesões cutâneas. O período de transmissibilidade estende-se desde o período prodrômico, 1 a 2 dias antes do aparecimento da erupção cutânea, até o quinto ou sexto dia do período exantemático, quando nos indivíduos imunocompetentes já se verifica a formação de crostas, sendo a contagiosidade maior nos estágios iniciais. Nos indivíduos imunodeprimidos, pode ser mais longo o período de aparecimento de lesões novas, sendo, em consequência, mais prolongado o período de transmissibilidade.

Antes do aparecimento da erupção cutânea podem ser observados sintomas sistêmicos, como febre, calafrios e dores pelo corpo. Em crianças, essas manifestações estão frequentemente ausentes e a primeira manifestação da doença pode ser a erupção cutânea. Esta tem distribuição centrípeta e é constituída por lesões que rapidamente evoluem de pápulas para vesículas circundadas por halo eritematoso. As lesões surgem em surtos, que podem ocorrer durante até quatro dias, que se apresentam com polimorfismo regional. As vesículas se rompem com facilidade, dando lugar a crostas que têm curta duração, deixando na sua queda pequena marca esbranquiçada a qual, em regra, desaparece após algumas semanas.

Outras complicações

Embora seja doença de evolução em geral benigna, podem ocorrer complicações, mais frequentemente em neonatos e imunodeprimidos . São mais comumente representadas por infecções cutâneas, mas podem surgir também manifestações neurológicas, como encefalite e síndrome de Reye e pneumonia viral, mais em adultos que em crianças, havendo também uma clara relação entre pneumonia e gestação.

Imunoglobulina hiperimune para varicela-zóster

Utilizada na prevenção da catapora. A infecção natural confere imunidade. Uma história clínica negativa para catapora é suficiente para caracterizar quem está sob risco. Não deve ser utilizada na gestação (vacina de vírus atenuado). A gestante com história negativa, não previamente vacinada e que teve contato de risco deve receber imunoglobulina hiperimune para varicela-zóster em até 96 horas após a exposição. O recém-nato de mãe com varicela até 5 dias antes do parto ou 48 horas após também deve receber a imunoglobulina. A imunoglobulina está disponível apenas nos CRIEs.

A imunoglobulina antivaricela-zóster é indubitavelmente produto de importante utilidade preventiva, sendo indicada em gestantes e imunodeprimidos não imunes após contato com a doença. No entanto, é de muito difícil obtenção, estando disponível em nosso meio somente nos CRIEs.

Varicela em idosas (maiores de 60 anos)

Recomendam-se duas doses, somente para aquelas que não tiveram a doença, fato incomum na idosa. Não há necessidade de fazer sorologia. No caso de exposição de indivíduos suscetíveis, dar uma dose após o evento até 72-96 horas. Retardar o  uso de antivirais para 14 dias após a vacinação. A vacina é contraindicada em imunossuprimidas.

Prevenção

A prevenção da varicela se faz basicamente pela vacinação. Desenvolvida no Japão na década de 1970, foi implantada nesse país em 1987, na Coreia do Sul no ano seguinte e nos Estados Unidos da América (EUA) em 1995. No Brasil, ela faz parte do calendário vacinal da criança do Programa Nacional de Imunizações (PNI), sendo aplicada em conjunto com a tríplice viral aos 15 meses de vida. Nos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIEs) e na rede privada ela também está disponível em apresentação monovalente.

A vacina pode ser empregada inclusive para indivíduos contactantes da doença (profilaxia pós-exposição) que não tenham contraindicação para seu uso, desde que seja administrada nos primeiros dias após o contato (3 dias preferencialmente, porém pode ser útil mesmo até o quinto dia). Em geral, mesmo nos casos em que a infecção ocorra apesar de seu emprego, observa-se diminuição da intensidade e da gravidade das manifestações clínicas dela decorrentes.

Indicações da vacina varicela

É preconizada de rotina para crianças a partir de 12 meses (exclusivamente, em ocasiões de surto, por exemplo, também para crianças menores, a partir de 9 meses).

Todas as crianças, adolescentes e adultos aptos (que não tiveram catapora) precisam ser vacinados.

vacina varicela

Idade para aplicação da vacina varicela

A partir dos 12 meses

Esquema básico da vacina varicela

Dose única (0,5 mL), entre 12 meses e 12 anos. Para as pessoas com 13 anos ou mais, aplicar duas doses com intervalo de quatro a oito semanas. Em pacientes imunodeprimidos, recomendam-se duas doses da vacina com intervalo mínimo de 30 dias entre elas, independente da faixa etária. Aplicar preferencialmente aos 12 meses e aos 15 meses de idade utilizar a quádrupla viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

A imunização deve ser realizada com duas doses para aquelas não vacinadas previamente com intervalo de 1-2 meses e, para menores de 13 anos, intervalo de 3 meses. Caso tenha recebido apenas uma dose, está indicada a segunda dose para completar o esquema vacinal. Se a adolescente já teve a infecção previamente, não há necessidade da vacina. Essa vacina só está disponível para adolescentes na rede privada.

Contraindicações da vacina varicela

  • Pacientes imunodeprimidos, exceto nos casos previstos nas indicações;
  • Durante o período de três meses após a suspensão de terapia imunodepressora, inclusive uso de corticoides;
  • Gestação;
  • Mulheres em idade fértil vacinadas devem evitar a gravidez durante 30 dias após a vacinação;
  • Reação anafilática à dose anterior.

Aplicação da vacina varicela

A via é subcutânea.

Intervalo entre outras vacinas

Pode ser aplicada simultaneamente com outras vacinas do PNI com qualquer intervalo, exceto com a vacina tríplice viral (SCR) e febre amarela (FA), por serem vacinadas de vírus vivos atenuados. Nesses casos, recomenda-se vacinação simultânea ou com intervalo de 30 dias.

Eficácia da vacina varicela

A vacina confere eficácia de 97% em pessoas imunocompetentes com 12 meses a 12 anos e acima dos 13 anos é de 99% após duas doses.

Uma dose da vacina possibilita prevenir cerca de 75% a 85% de qualquer forma de apresentação da varicela e a imensa maioria dos casos graves. Hoje em dia, a maioria das sociedades de especialidades ligadas às imunizações aconselha seguir o esquema já amplamente utilizado nos países desenvolvidos, com uma segunda dose da vacina de 3 meses de alguns anos após a imunização inicial. Acima dos 13 anos são indicadas 2 doses.

Eventos adversos da vacina varicela 

Dor, hiperestesia, rubor, febre, erupção semelhante à varicela.

  • A vacina contra varicela é segura em pessoas imunocompetentes, com percentual de manifestações adversas alterando de 5% a 35%. Imunodeprimidos podem exibir reações adversas mais fortes, apesar de serem raramente graves;
  • Em 26% dos indivíduos que receberam a vacina acontece dor no local da administração da vacina e em 5% advém rubor. Em 1% a 3% podem ser notadas vesículas perto do local que foi aplicada a vacina;
  • De 3% a 5% das pessoas expõem exantema pelo corpo, parecido com lesões provocadas pela catapora, com duas a cinco lesões surgindo em aproximadamente 26 dias após a vacinação. Já as lesões que aparecem duas ou mais semanas depois da administração da vacina são sugestivas da doença causada pelo vírus varicela zóster que foi contraído antes da vacinação e permaneceu incubado.

Conservação

Deve ser conservada entre +2ºC a +8ºC.

Cuidados antes, durante e após a vacinação

  • As crianças que utilizaram medicações imunossupressoras devem recebera administração da vacinada pelo menos um mês depois da interrupção do uso do medicamento;
  • Crianças em quimioterapia para tratar o câncer só devem ser vacinadas três meses depois da interrupção do tratamento;
  • Crianças que foram submetidas a transplante de medula óssea só devem receber a administração da vacinada de 12 a 24 meses depois do processo;
  • Presença de algum sintoma grave e/ou repentino depois da administração da vacina precisa ser comunicado ao serviço que a efetivou;
  • Em caso de febre, precisa-se aprazar a vacinação até que o indivíduo esteja melhor;
  • Compressas frias suavizam a reação no local da aplicação;
  • Sintomas de ocorrências adversas graves ou duráveis, que se delongam por mais de 24 a 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser averiguados para investigação de outras causas.
Referência Bibliográfica: Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM)

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